Francisco, Papa

A eleição do Papa Francisco, um homem que gosta de ler Kasper, não é surpreendente. Lamentável, decepcionante, angustiante até, mas não surpreendente. Bergoglio está para a Igreja como qualquer má notícia está para um telejornal: não sendo desejável, tornou-se inevitável.

 

Depois de uma curta era de esperança e de profunda lucidez que só Ratzinger poderia ter liderado, surge alguém que nos faz ter saudades de João Paulo II - o que é grave! A falsa modéstia, a arrogância e, enfim, a contradição modernista das acções e das palavras que os primeiros dias comprovam, irão agora tomar conta do Vaticano e do elogio dos media. Muito ao gosto de um clero como, por exemplo, o português e de fiéis protestantizados e formatados pela imprensa secular, perspectiva-se um pontificado-show, de fazer corar os pais do concílio.

 

O ataque à liturgia, esse já começou. Ao bom estilo do que de Bergoglio se conhece quanto à forma como a Tradição é perseguida na Argentina, Mons. Guido Marini ouviu uma das tiradas que, estou em crer, vai marcar todo o pontificado neste campo: "o tempo do carnaval acabou". Ou seja, a liturgia pontifícia acabou. E não há-de demorar muito até que determinadas intenções de reinvenção ritual (para não falar das de reinvenção do próprio papado) venham a tornar-se uma realidade aplaudida, empolgada e amplamente implementada, de tal forma que a Forma Ordinária passe a ser coisa de velha-guarda.

 

Quanto ao resto, isto é, as razões que levaram Bento XVI a abdicar, estamos mais do que esclarecidos. Em que circunstâncias e com que modus operandi, é coisa a que o tempo dará um dia resposta. Mas do que não há dúvida absolutamente nenhuma, e isso parece-me já ponto assente, é que a FSSPX perdeu a grande oportunidade histórica de enfrentar o que se avizinha com as condições canónicas necessárias, que serão agora colocadas irremediavelmente de lado. Encerrada que está essa janela de oportunidade e postas as cartas na mesa, resta-nos rezar pela manutenção do Summorum Pontificum e para que a guetização não volte aos meios tradicionalistas com o sedevacantismo a reboque...

publicado por Afonso Miguel às 23:07 | link do post | comentar