Emissora ******** nacional

Os ataques e as perseguições à causa da vida são normais. Lutar contra o aborto e a eutanásia - o primeiro transformado em direito inalienável da mulher e o segundo a caminho de ser direito inalienável dos filhos... - é remar contra uma corrente de fortíssimo caudal. O que não é ou não devia ser normal é que a Igreja e os meios de que dispõe não correspondam ao esforço que os fiéis desenvolvem, com crentes e não crentes, na defesa da verdade. Contrariamente ao que seria de esperar, a hierarquia portuguesa habituou-nos a um abandono inadmissível, a uma omissão insustentável, a um silêncio ensurdecedor.

 

Comissão Nacional pro Referendo-Vida, que pretende uma consulta popular sobre o "estatuto legal da vida humana", está a fazer circular um e-mail em que, entre outras coisas, denuncia que na Rádio Renascença (emissora católica nacional) não têm sido concedidas iguais condições de intervenção aos seus representantes que aos da "cultura da morte". É o que facilmente depreendemos destas palavras:

 

Acreditamos sobretudo no recto julgamento do povo perante um debate franco e leal em que, ao contrário do que tem sucedido, nos sejam reconhecidas iguais condições de intervenção que aos representantes da «cultura de morte» - mesmo em canais como a Rádio Renascença.


A acusação é grave, mas não espanta. O texto completo da mensagem:


Caros amigos,

Paz e bem a todos!

Avisaram-nos que nos seria cortado uma vez mais, talvez definitivamente, o acesso ao email se continuarmos - sem que o contrato nada diga em sentido contrário - a espalhar a nossa voz via email. Esta pode, por conseguinte, ser a nossa ultima mensagem a chegar-lhe da nossa parte - quem tiver olhos leia, quem tiver ouvidos ouça, quem tiver coração que se levante. Mas a nossa voz poderá em breve deixar de se ouvir por este meio. De resto poucas vezes nos deixam falar do espírito que nos anima, da nossa acção, dar as razões da nossa persistência na defesa dos mais esquecidos e invisíveis de todos os pobres, dos abandonados na mais remota periferia do nosso coração, dos mais invisíveis, silenciosos e silenciados da comunidade humana, dos mais fracos de todos - e por isso mesmo talvez os mais afectuosamente contemplados pelo olhar misericordioso de Deus sobre o homem de hoje, os primeiros credores do nosso humilde pedido de perdão, o primeiro abraço de reconciliação que se nos oferece na caridade mútua, a porta estreita mas aberta para todos os que buscam Deus e a Sua Paz.

Para que queremos nós ter voz? O que queremos afirmar?
Hoje, como já em Agosto de 2009, em pleno programa "prós-e-contras", afirmávamos a mesma ideia que haveríamos de repetir na "carta-aberta" ao Sr Primeiro-Ministro em Outubro de 2011: «Enquanto matarmos os nossos filhos no ventre de suas mães, como uma maldição, tudo o que tentarmos construir ruirá! Todas as medidas para escapar à crise falharão!» E isto que repetidamente afirmamos não é desejo ou profecia - é constatação de uma verdade histórica: nenhum reino se sustenta pela injustiça, nenhum regime prevalece esmagando liberdade e dignidade do homem. Só defendendo os valores humanos essenciais, pode uma sociedade viver em Paz e aspirar ao desenvolvimento.

Em Portugal e na Europa, aprofundou-se nos últimos anos uma deriva civilizacional que, insinuando pretender levar às últimas consequências valores positivos - se correctamente entendidos - como os da igualdade, tolerância e liberdade pessoal, acabou por esmagar os mais elementares direitos humanos universais de terceiros, de seres humanos iguais em dignidade em direitos aos que com notável ruído mediático reivindicam interesses próprios, individuais ou quando muito de pequenos grupos. Por isso se torna tão importante para os grupos pro-vida e pró-família erguer uma voz que defenda e afirme direitos universais, concretizados em pessoas e grupos mais frágeis e sem voz como são os bebés por nascer, os mais idosos e doentes pela sociedade considerados e tratados já como inúteis ou dispensáveis: enfim, por todos os impiedosamente silenciados e explorados. Não surpreendem, pois, as sucessivas tentativas para nos reduzirem ao silêncio, seja pela desigualdade de tratamento informativo (TV, rádio, etc.) das nossas iniciativas - como se o pluralismo pudesse ser suspenso quando se trata da mensagem pro-Vida e pro-Família - pela ameaça de coimas, pela suspensão do acesso ao email, ao facebook, à internet, etc. Como se pode compreender que, embora diariamente bombardeados por mil banalidades na televisão, jamais nos tenha sido concedida pela RTP (estação dita de "serviço público") - ou por outros canais televisivos  - uma oportunidade de explicar as motivações e objectivos que nos levam a promover um "referendo nacional de iniciativa popular" que finalmente dê a voz ao povo sobre a grande questão do estatuto legal da vida humana em Portugal. Para nós, não se trata de levar a Lei a condenar quem quer que seja, homens ou mulheres. Se as pessoas entenderem que deve passar a ser legalmente despenalizado o derramamento de sangue alheio, aceitarão as consequências de tal escolha. Se os cidadãos entenderem que há melhor forma do que a prisão para penalizar os seus criminosos, não seremos nós a estabelecer em que sentido se deverá operar um tal "progresso civilizacional".

De que modo queremos falar? Em que linguagem nos queremos entender?
Queremos falar abertamente do que nos enche o coração, abrir um debate em que participem igualmente os que não pensam como nós. Acreditamos que também nesses se pode acender aquela chama de Esperança que - até agora - se têm recusado a ver em toda e qualquer Vida humana, no seu início ou no seu termo. Acreditamos sobretudo no recto julgamento do povo perante um debate franco e leal em que, ao contrário do que tem sucedido, nos sejam reconhecidas iguais condições de intervenção que aos representantes da «cultura de morte» - mesmo em canais como a Rádio Renascença. Servido de uma informação completa e verdadeira, não temos dúvida de que o povo português, com o seu julgamento alicerçado em multi-seculares critérios de matriz cristã, responderá enfim ao chamamento a referendo e saberá tomar a posição mais justa, na melhor tradição humanista e universalista com que ganhou justo reconhecimento e uma posição ímpar na história universal.


Com «caridade na Verdade» queremos nós continuar a intervir de rosto descoberto nos areópagos do nosso tempo. Não nos dirigimos apenas ou especialmente aos que já pensam e sentem como nós, mas a todos os "homens [e mulheres] de boa-vontade". Ainda recentemente lançámos um concurso de vídeos "pro Vida", com o objectivo de estimular os criadores desta área da arte e da cultura a actualizar e reinventar a boa-nova do amor pela Vida, a mensagem da "cultura da Vida", usando o léxico cada vez mais rico da linguagem audio-visual. Até Abril, aguardaremos a chegada de todas as obras que o Espírito não deixará de inspirar numa comunidade criativa que, como poucas, encontra ressonância no tempo presente e via aberta nas auto-estradas da informação. Estamos também apostados em não deixar passar a oportunidade das "eleições autárquicas" para levar a Causa pro-Vida à agenda e à discussão do nosso futuro comum - também ao nível local onde se joga parte tão importante das nossas vidas pessoais e familiares. 

Que caminho propomos? Para que meta correremos?
Para um cristão "O caminho, a Verdade e a Vida" são o próprio Cristo. Para os não cristãos e até para os não-crentes cuja presença nas fileiras desta Causa muito nos honra, o nosso caminho é o do Homem, em harmonia com a natureza. O caminho do Homem todo e todos os homens. O caminho do bem comum das criaturas, a começar pelas criaturas humanas - todas elas, em qualquer fase do seu percurso terreno, qualquer que seja o seu estado de vigor pessoal ou social. A nossa meta há-de ser o reconhecimento pela sociedade de que o melhor avanço para todos será aquele que não deixar ficar ninguém definitiva e irremediavelmente para trás. Só um tal avanço será verdadeiro, perene e belo. E ainda que nos seja difícil identificar hoje com exactidão todos os traços desse «caminho novo», mais fácil nos será porventura perceber os obstáculos, abismos, escolhos, sinaléticas enganadoras e desvios no caminho velho que temos de rejeitar. Valha-nos, enfim, de alguma coisa a experiência concreta de alguns passos errados que, para nosso mal e com dolorosos frutos, já demos.


Este caminho novo tem já os seus pioneiros - todos aqueles que se têm juntado à Causa, ao longo da jornada já e vão engrossando cada vez mais as fileiras. Destes pioneiros, a quem esta mensagem se dirige em particular, se espera uma Persistência, Alegria e Coragem superiores ao comum. Se vemos trabalhar convicta e militantemente muitos que defendem causas como a dos animais irracionais ou das plantas, sem a transcendência da nossa embora todas respeitáveis, não podemos ficar atrás, nós os que defendemos a mãe de todas as causas: a Causa de todas as Mães, de todas as famílias, de todos os seres humanos. Por tudo isto, passado mais de um ano e meio desde que em 15 de Agosto de 2010 começámos a reunir assinaturas para o primeiro grande Referendo Nacional de Iniciativa Popular, é chegado o momento de chamar todos e cada um de nós à sua responsabilidade diante dos seus concidadãos e até diante de Deus. Todos nós, os primeiros subscritores, Prof. Daniel Serrão e Prof. Gentil Martins, a Comissão Nacional pro-Referendo Vida, abaixo identificada, todos e cada um dos mandatários identificados nas folhas que estamos a distribuir, todos aqueles que aos diferentes níveis de responsabilidade e nas mais variadas entidades, movimentos e igrejas - todos nós - cada um por sua vez - havemos de responder um dia à questão "Que fizeste?" se, por nossa omissão, deixarmos caducar a promessa do actual Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, seja por demissão abrupta ou por conclusão normal da legislatura. Ao contrário, demos as mãos, solidariamente, para que tal promessa se cumpra diante das 75.000 assinaturas que, se Deus quiser e todos nós trabalharmos por isso, havemos de entregar na Assembleia da República, como primeiro passo redentor e fundador de um «caminho novo» para Portugal, para os nossos filhos!...

Comissão Nacional pro Referendo-Vida
Guimarães, 19 de Março de 2013

publicado por Afonso Miguel às 01:04 | link do post | comentar