Pobreza evangélica e comunismo

Uma das características marcantes do novo pontificado será, e é já, a predilecção pela pobreza e pelo despojamento material. Francisco adoptou da sua vida esta inclinação que transparece no papado. Feita de pequenos grandes gestos mediáticos, carrega, para além de todas as estapafúrdias considerações jornalísticas, um desejável e mais profundo significado teológico: a pobreza como virtude evangélica. Como é óbvio, não é essa a leitura do mundo, mesmo do mundo católico, que tenta aproximar o Santo Padre de uma secularização "libertária" que, aparte todas as críticas legítimas que Bergoglio nos merece, não se encaixará na razão do seu "estilo".

 

A este propósito, convém lembrar uma verdade objectiva sobre a Teologia da Libertação - empolgadíssima com Francisco - contrária à vulgar interpretação da mesma. A TL, como movimento marxista que é, esvazia a Igreja da sua realidade e do seu propósito metafísicos, reduzindo-a à acção temporal e transformando-a numa estrutura de poder político. No fundo, a ideologização de Jesus como o profeta dos paraísos terrenos e da Igreja como um partido de classe.

 

Roberto de Mattei esclarece em "A Ditadura do Relativismo":

 

Nos anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, muitos católicos aceitaram como facto positivo o processo de secularização da sociedade, de que o marxismo era o derradeiro e mais coerente portador. Porém, se o cristianismo se subordina ao secularismo, terá de fazer relegar para segundo plano a sua dimensão sobrenatural. O reino de Cristo é assim transformado num reino mundano, ficando reduzido a uma estrutura de poder.

 

A "Teologia da Libertação", ao colocar-se "na perspectiva de um messianismo temporal, que é uma das expressões mais radicais da secularização do reino de Deus e da sua absorção pela imanência da história humana", foi a expressão mais significativa desta concepção da sociedade e da história.

 

Acontece que, privado do sobrenatural, o cristianismo nao é apenas uma partido político, passando a ser um poderosíssimo factor de desagregação da sociedade.

publicado por Afonso Miguel às 02:02 | link do post | comentar