Quarta-feira, 01.12.10

Mensagem 1 Dez. 2010 de S.A.R. Dom Duarte, Duque de Bragança








publicado por Afonso Miguel às 15:28 | link do post | comentar | comentários (4)

"Vá avante mocidade de Portugal"









 


Portugueses celebremos
O dia da redenção,
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.


 


A fé dos campos de Ourique,
Coragem deu e valor,
Aos famosos de quarenta,
Que lutaram com ardor.


 


P’rá Frente! P’rá Frente!
Repetir saberemos as proezas Portuguesas
Ávante, Ávante,
É voz que soará triunfal,
Vá avante mocidade de Portugal,
Vá avante mocidade de Portugal.

publicado por Afonso Miguel às 15:18 | link do post | comentar
Domingo, 07.11.10

Olhe que sim!



 


Passaram ontem trinta e cinco anos do celebre debate em que Soares e Cunhal gastaram quase quatro horas de bobine à RTP a discutir a reforma agrária, as bombas, os petardos, os jornais e mais um sem número de coisas relativas ao PREC. Ficou conhecido como tendo sido decisivo para o abrandamento da actividade revolucionária do PCP. Diz-se, e ensina-se, que se o marxismo não vingou em Portugal foi porque o "pai da democracia" derrotou o secretário-geral comunista na troca de argumentos. Mas a grande questão do nosso tempo vai para além de uma vitória num qualquer jogo de palavras. É mais profunda, vai ao âmago: passámos ou não a ser uma sociedade regida por princípios ideológicos marxistas?


 


Que nos diz essa ideologia marxista? Diz-nos que, partindo da crença de que o transcendente não existe, todas as formulações morais acerca da condição humana não passam de isso mesmo, de meras formulações, e que são o resultado do processo histórico. A Família, a propriedade e até o próprio Estado, são convenções relativas ao tempo e ao espaço, sem qualquer tipo de referência objectiva e sem critério exterior. Não são características impressas na natureza do homem, mas construções ideológicas da vontade. Tudo é, para o marxismo, fruto da vontade, e é essa vontade que comanda os destinos da moral, não o contrário. E que vemos nós hoje em Portugal? Casamento homossexual; aborto; controlo/influência estatal dos grandes negócios; o poder usado como mero objecto de lucro partidário. Em suma, a transformação (ou a deformação) de todas as verdades inegociáveis.


 


É a tudo isto, a este materialismo em que vivemos, que os Soares da nossa praça nos dizem, como Cunhal outrora, "olhe que não, olhe que não". O problema é que até essa auto negação, académica e popularmente aceite, é parte da actuação do marxismo. Vemo-la constantemente na inutilidade dos debates do nosso tempo. O paraíso utópico do marxismo é que o ponto de partida de qualquer contraditório seja sempre a inexistência de contraditório no essencial, como em 1975.

publicado por Afonso Miguel às 19:30 | link do post | comentar | comentários (1)
Terça-feira, 05.10.10

Firmes e corcundas!

publicado por Afonso Miguel às 00:33 | link do post | comentar
Sexta-feira, 27.08.10

"À direita do Vaticano"

Um documentário francês sobre o movimento tradicionalista. A subjectividade negativa dos jornalistas é perceptível, mas não deixa de ser um bom apanhado sobre a resistência ao modernismo, especialmente em França:


 









publicado por Afonso Miguel às 22:40 | link do post | comentar
Quarta-feira, 28.07.10

Boa leitura


 


"Work of Human Hands: A Theological Critique of the Mass of Paul VI" do Rev. Anthony Cekada. Blogs do autor: Quidlibet e Doctrina Liturgica.


 


***


 


Nota: O facto de o Padre Cekada ser sedevacantista não significa que assuma a mesma posição, muito pelo contrário. Aliás, o livro não aborda sequer essa matéria.

publicado por Afonso Miguel às 21:34 | link do post | comentar
Sábado, 10.07.10

A liturgia tem uma lei

Excertos de um artigo do Padre Mauro Gagliardi, consultor do Gabinete de Celebrações Litúrgicas do Santo Padre, sobre os abusos na liturgia latina e a necessidade de observação das normas:


 



1. The Post-Conciliar Situation


 


Vatican Council II ordered a general reform of the sacred liturgy. The latter was effected after the closing of the Council, by a commission commonly called, for reasons of brevity, the Consilium. It is known that, from the beginning, the liturgical reform was the object of criticisms, at times radical, as well as exaltations, in certain cases, excessive. It is not our intention to pause on this problem. We can say instead that it is generally agreed that an increase of abuses can be observed in the celebratory field after the Council.


 


[...]


 


...it is important that the solution of the same begin with the priests, who must commit themselves first of all to know in a profound way the liturgical books and also to put faithfully into practice their prescriptions. Only knowledge of the liturgical laws and the desire to hold oneself strictly to them will avoid further abuses and arbitrary "innovations" that, if at the time might perhaps move those present, in reality soon end by tiring and disappointing. Saving the best intentions of those who commit them, after forty years of "liturgical disobedience" it does not in fact build better Christian communities, but on the contrary it puts in danger the solidity of their faith and of their belonging to the unity of the Catholic Church.


 


The more "open" character of the new liturgical norms cannot be used as pretext to pervert the nature of the public worship of the Church: "The new norms have much simplified the formulas, gestures, liturgical acts [...]. But neither must one go in this field beyond what is established: in fact, by doing so, the liturgy would be stripped of the sacred signs and of its beauty, which are necessary so that the mystery of salvation is truly realized in the Christian community and that it also understood under the veil of visible realities, through an appropriate catechesis. In fact the liturgical reform is not synonymous with de-sacralization, nor is it the motive for that phenomenon called the secularization of the world. Hence, it is necessary to preserve in the rites dignity, seriousness, sacredness."


 


Therefore, among the graces we hope to be able to obtain from the celebration of the Year for Priests is also that of a true liturgical renewal in the heart of the Church, so that the sacred liturgy is understood and lived for what it is in reality: the public and integral worship of the Mystical Body of Christ, Head and members, worship of adoration that glorifies God and sanctifies men.


publicado por Afonso Miguel às 22:45 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.07.10

Rainha Santa Isabel - procissões em Coimbra

Imagens muito bonitas da devoção popular à Rainha Santa Isabel, em Coimbra:


 









publicado por Afonso Miguel às 00:34 | link do post | comentar
Segunda-feira, 05.07.10

Realeza social de Maria


 


Um dia volvido da memória litúrgica da Rainha Santa Isabel, mulher que elevou Avis e Portugal às maiores virtudes e obras de misericórdia, nada melhor do que rever estas palavras de D. Lefebvre, pela actualidade e urgência da verdade que contêm. Dizia a filosofia grega que precisamos de reis filósofos; aponta-nos a doutrina cristã a necessidade de reis santos. A nós, que coroámos Nossa Senhora e que dela recebemos a certeza do dogma, deu-nos Deus a especialíssima graça de a realeza social ser de Maria e, por Ela, de Jesus.


 



«Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e a divindade de Nosso Senhor é a verdade central da nossa fé. Portanto serviremos a Nosso Senhor como Deus e não como um simples homem. Sem dúvida pela Sua humanidade Ele santificou-nos, pela Graça Santificante que enche a Sua Santa Alma; isto determina o respeito infinito que devemos ter pela Sua Santa Humanidade. Mas actualmente o perigo é fazer de Nosso Senhor um simples homem, um homem extraordinário certamente, um super-homem, mas não o Filho de Deus.


 


Pelo contrário, se é verdadeiramente Deus como a fé nos ensina, então tudo muda, pois sendo assim Ele é Senhor de todas as coisas e tudo resulta da sua divindade.


 


Assim, todos os atributos que a teologia nos faz conhecer de Deus: a Sua omnipotência, a Sua omnipresença, a Sua causalidade permanente e suprema relativamente a todas as coisas, a tudo o que existe, já que Ele é a origem de todos os seres, tudo isto se aplica a Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem portanto todo o poder sobre todas as coisas; pela Sua própria natureza é Rei, rei do universo e nenhuma criatura, indivíduo ou sociedade pode escapar à Sua soberania; à Sua soberania de poder e à Sua soberania da Graça.


 


Desta primeira verdade de fé, a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, segue-se a segunda: a Sua Realeza, e especialmente a Sua Realeza sobre as sociedades, a obediência que devem ter as sociedades à Vontade de Jesus Cristo, a submissão que devem ter as leis civis com respeito à lei de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda mais, Nosso Senhor Jesus Cristo quer que as almas se salvem, indirectamente sem dúvida, mas eficazmente por uma sociedade civil cristã, plenamente submetida ao Evangelho e que se cumpra o seu desígnio redentor, que seja o instrumento temporal dele. Então o que será mais justo e necessário do que as leis civis se submeterem às leis de Jesus Cristo?


 


O que quer Nosso Senhor senão que o seu sacrifício redentor vivifique a sociedade civil? O que é a civilização cristã, o que é a cristandade senão a encarnação da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo na vida de toda uma sociedade? Eis aqui o que se chama o Reino Social de Nosso Senhor, a verdade que devemos propagar hoje com a maior força possível, frente ao liberalismo.»


 


Dom Marcel Lefebvre


publicado por Afonso Miguel às 11:36 | link do post | comentar | comentários (1)
Domingo, 13.06.10

6 órgãos da Real Basílica de Mafra

Os seis órgãos da Basílica de Mafra estiveram em restauro durante onze anos. O resultado está à vista.


 


Dois momentos de um dos concertos realizados em Maio:


 



















 


Organeiro Dinarte Machado fala do restauro dos seis órgãos, pelo qual está responsável:


 









publicado por Afonso Miguel às 22:08 | link do post | comentar | comentários (1)
Quinta-feira, 10.06.10

Nós não branqueamos a História

publicado por Afonso Miguel às 19:11 | link do post | comentar | comentários (1)
Quinta-feira, 03.06.10

O que os olhos não vêem, a razão acredita

Sem tempo para escrever, deixo apenas o medievo hino de Corpus Christi de São Tomás de Aquino, que exalta o substancial da Fé eucarística que hoje celebramos: o transubstancial de Jesus Nosso Senhor, realmente presente nas aparências do pão e do vinho consagrados.


 



Pange, lingua, gloriosi
Corporis mysterium,
Sanguinisque pretiosi,
quem in mundi pretium
fructus ventris generosi
Rex effudit Gentium.

Nobis datus, nobis natus
ex intacta Virgine,
et in mundo conversatus,
sparso verbi semine,
sui moras incolatus
miro clausit ordine.

In supremae nocte coenae
recumbens cum fratribus
observata lege plene
cibis in legalibus,
cibum turbae duodenae
se dat suis manibus.

Verbum caro, panem verum
verbo carnem efficit:
fitque sanguis Christi merum,
et si sensus deficit,
ad firmandum cor sincerum
sola fides sufficit.

Tantum ergo Sacramentum
veneremur cernui:
et antiquum documentum
novo cedat ritui:
praestet fides supplementum
sensuum defectui.

Genitori, Genitoque
laus et jubilatio,
salus, honor, virtus quoque
sit et benedictio:
Procedenti ab utroque
compar sit laudatio.

Amen. Alleluja.


publicado por Afonso Miguel às 00:01 | link do post | comentar
Domingo, 23.05.10

Provavelmente o pior inimigo interno

Há minutos, passei pela pouco recomendável Canção Nova que transmitia um programa que me despertou imediatamente a atenção. Um sacerdote, que me pareceu minimamente ortodoxo por estar de vestes talares, respondia desassombradamente sobre a heresia da Teologia da Libertação.


 


Chama-se Padre Paulo Ricardo e é reitor do Seminário de Cristo Rei em Cuiabá, Brasil. É também mestre em Direito Canónico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e membro do Conselho Internacional de Catequese (Coincat) da Congregação para o Clero. Lecciona teologia e filosofia e publica no Christo Nihil Praeponere. No seu site, encontrei um podcast onde aborda o mesmo assunto do programa, partindo do pensamento de Bento XVI. Pela abrangência que dá ao tema e pela clareza de ideias com que o expõe, parece-me de extrema utilidade que o ouçam. É um curto mas muito esclarecedor "tirar de máscara" àquele que é talvez o pior inimigo interno da Igreja: o marxismo pós-CVII. Basta recordar que aqueles que mais atacaram o Santo Padre a propósito dos casos de pedofilia foram senhores como Boff e Küng, ilustres teólogos da tal libertação socialista utópica que o Padre Paulo Ricardo desmonta e denuncia de forma simplesmente brilhante.

publicado por Afonso Miguel às 00:40 | link do post | comentar | comentários (1)
Segunda-feira, 17.05.10

Bento XVI em Portugal [XIII] - Fátima 2017?


 


A Magdalia levantou a hipótese de Bento XVI voltar a Fátima em 2017. A base da especulação é a homilia do Santo Padre na Missa de 13 de Maio (destaques meus):


 



Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana.


 


(...)


 


Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).


 


Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade.



 


Será que, dentro de sete anos, o Papa virá a Fátima consagrar a Russia ao Imaculado Coração de Maria ou contribuir, de outra forma, para a história do seu triunfo?

publicado por Afonso Miguel às 23:20 | link do post | comentar
Domingo, 09.05.10

"Pormenor"?!

A revista Pública pôs hoje nas bancas uma entrevista a D. José Policarpo, às portas da visita de Bento XVI. Entre outros assuntos, o Patricarca de Lisboa abordou a reaproximação de Roma à FSSPX. Destaco as seguintes passagens, com alguns apontamentos meus:


 



No início do pontificado, o Papa falou várias vezes na prioridade que queria dar ao diálogo ecuménico. Houve pequenos passos conseguidos com os ortodoxos, mas não deveria ter acontecido algo mais nestes cinco anos?


 


Esse dinamismo não é específico deste pontificado. João Paulo II foi também extremamente empenhado nessa questão. É evidente que os passos não podem ser dados só pela Igreja Católica, têm de ser também pelos outros. Não tem sido fácil, embora se tenham dado passos importantes que, aliás, passam despercebidos à grande mediatização. Estou a pensar num acordo com as igrejas luteranas sobre o sentido da justificação, que era uma questão crucial na teologia das duas igrejas e que foi celebrado ainda por João Paulo II. Neste Papa, gostaria de sublinhar a grande preocupação em não complicar a desunião que as diferentes interpretações do cristianismo foram gerando ao longo dos séculos. Tem sido feito um esforço em relação ao grupo que costumamos identificar com monsenhor Marcel Lefèbvre, o que tem sido alvo de críticas, porque há sectores católicos que acham que é ir longe de mais para salvaguardar a unidade da Igreja. O problema está longe de resolvido. Qual é a verdadeira génese destas especificidades que depois levam à ruptura da comunhão? Muitas das manifestações de diversidade que surgem hoje na Igreja teriam dado cismas em séculos passados. Hoje não, e esse é um dos grandes triunfos da Igreja dos últimos tempos, o que traz dificuldades internas. Na Igreja, como no resto da sociedade, a unidade na uniformidade é mais cómoda...


 


Mas o que se pretende neste caso? Não se está a procurar a unidade a todo o custo com um grupo que não a quer fazer e que anda há 40 anos a dizer que não aceita o Concílio [Vaticano II]?


 


E isso ficou muito claro num consistório a que o Papa nos convocou para analisar a questão...


 


E onde a maioria dos cardeais era contra estes gestos...


 


Diria que foi um diálogo muito fraterno, onde ficou absolutamente claro que o lado de lá tinha de aceitar globalmente o Concílio Vaticano II. Não se trata de discutir se se celebra ou não em latim, é uma questão de acreditar na Igreja. Os aspectos que têm dado mais polémica são os que parecem mais retrógrados e fundamentalistas, como o latim nas celebrações, mas são pormenores.


 


Mas são também posições como esta que levam a que este Papa seja visto como conservador...


 


É, por esses casos pontuais. Neste caso concreto dos lefebvrianos, o problema é mais fundo do que isso. Não se resolve se não se aceitar um pluralismo nas expressões, desde que esteja garantido o essencial.


 


(Como se a FSSPX e todos os tradicionalistas que a têm apoiado não tivessem acreditado, em algum momento da História, na Igreja. Como se tivessem entrado em cisma. Como se fossem sedevacantistas. Não. A luta que levam a cabo prende-se precisamente com a aceitação incondicional da sua Doutrina e da sua Missão, denunciando, por isso, os erros que o CVII introduziu e fez crescer - preocupações comuns às do Santo Padre. Por outro lado, especialmente em Portugal, o assunto prende-se - e muito - com a tal "retrograda" e "fundamentalista" Missa Tridentina. Aliás, não se percebe como é tão marginalizada e impedida pelos nossos bispos se, afinal, parece ser considerada como um "pormenor". Não se percebe porque colocam tantos entraves ao "pluralismo de expressões", se as ordens da Santa Sé são no sentido de promover o Rito Tradicional activamente, como bem tem insistido Monsenhor Castrillon Hoyos e Monsenhor Nicola Bux. Não se percebe mesmo, a não ser à luz do modernismo radical que perpassa por todo o episcopado luso.)


 


[...]


 


Como olha para Obama?


 


É um fenómeno daqueles que aparecem de vez em quando nos Estados Unidos. É muito parecido com o fenómeno Kennedy, nos anos 1960. Parece bom homem, é inteligente, um grande orador. É cedo para avaliar, mas algumas das teses dele são apaixonantes e é preciso coragem para as aplicar num país daqueles. Nos EUA, de vez em quando, aparecem ideias messiânicas que galvanizam as massas e depois há por trás o Estado que é silencioso, pragmático, que agora é militar e condiciona o poder todo.


 


(Desconhece D. Policarpo que Obama é um dos maiores defensores do aborto livre e do casamento entre pessoas do mesmo sexo?!)


 


[...]


 


É a formação que está em causa? Não são o celibato e a relação com a sexualidade?


 


Em relação à questão do celibato... Durante muito tempo, isto [a pedofilia] não estava tipificado como está agora. As anormalidades acontecem em todos os horizontes, quando as pessoas são casadas ou solteiras ou celibatárias, porque acontece quando a pessoa não integrou a sua sexualidade. Virem-me dizer que o fim do celibato resolvia o problema... Pelo contrário, o celibato vivido ajuda [a resolver] o problema. O celibato é uma experiência de delicadeza contínua para com as pessoas todas, é uma experiência maravilhosa, que ajuda no respeito pelas crianças. Tenho mais a certeza disso do que no caso de uma pessoa mal casada, com frustrações. Não excluo que o ser casado ou não ser casado não tenha indirectamente a ver com isto. Mas o que está por trás é a harmonia da experiência de viver a dedicação às pessoas, sem excluir a ternura, no ideal de uma virgindade consagrada. Isso ajuda com certeza.


 


[...]


 


Há problemas com a laicidade?


 


A Igreja não tem problemas nenhuns com a laicidade do Estado. Há uma dimensão secular, mas que pode ser inspirada por outros princípios, como a generosidade cristã. Às vezes irrita-me quando se tenta estender a laicidade do Estado à laicidade da sociedade. A laicidade do Estado é uma neutralidade positiva, de respeito por todos. Mas, como dizia o doutor Mário Soares, não se pode tratar de forma igual o que é desigual. Não pode haver crucifixos nas escolas, mesmo que as famílias e os alunos o queiram? Esta laicidade estendida a todas as manifestações da sociedade não é uma compreensão moderna da laicidade, é uma compreensão jacobina da laicidade.


publicado por Afonso Miguel às 16:54 | link do post | comentar | comentários (4)
 

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