Sexta-feira, 27.08.10

"À direita do Vaticano"

Um documentário francês sobre o movimento tradicionalista. A subjectividade negativa dos jornalistas é perceptível, mas não deixa de ser um bom apanhado sobre a resistência ao modernismo, especialmente em França:


 









publicado por Afonso Miguel às 22:40 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.07.10

Rainha Santa Isabel - procissões em Coimbra

Imagens muito bonitas da devoção popular à Rainha Santa Isabel, em Coimbra:


 









publicado por Afonso Miguel às 00:34 | link do post | comentar
Segunda-feira, 05.07.10

Realeza social de Maria


 


Um dia volvido da memória litúrgica da Rainha Santa Isabel, mulher que elevou Avis e Portugal às maiores virtudes e obras de misericórdia, nada melhor do que rever estas palavras de D. Lefebvre, pela actualidade e urgência da verdade que contêm. Dizia a filosofia grega que precisamos de reis filósofos; aponta-nos a doutrina cristã a necessidade de reis santos. A nós, que coroámos Nossa Senhora e que dela recebemos a certeza do dogma, deu-nos Deus a especialíssima graça de a realeza social ser de Maria e, por Ela, de Jesus.


 



«Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e a divindade de Nosso Senhor é a verdade central da nossa fé. Portanto serviremos a Nosso Senhor como Deus e não como um simples homem. Sem dúvida pela Sua humanidade Ele santificou-nos, pela Graça Santificante que enche a Sua Santa Alma; isto determina o respeito infinito que devemos ter pela Sua Santa Humanidade. Mas actualmente o perigo é fazer de Nosso Senhor um simples homem, um homem extraordinário certamente, um super-homem, mas não o Filho de Deus.


 


Pelo contrário, se é verdadeiramente Deus como a fé nos ensina, então tudo muda, pois sendo assim Ele é Senhor de todas as coisas e tudo resulta da sua divindade.


 


Assim, todos os atributos que a teologia nos faz conhecer de Deus: a Sua omnipotência, a Sua omnipresença, a Sua causalidade permanente e suprema relativamente a todas as coisas, a tudo o que existe, já que Ele é a origem de todos os seres, tudo isto se aplica a Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem portanto todo o poder sobre todas as coisas; pela Sua própria natureza é Rei, rei do universo e nenhuma criatura, indivíduo ou sociedade pode escapar à Sua soberania; à Sua soberania de poder e à Sua soberania da Graça.


 


Desta primeira verdade de fé, a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, segue-se a segunda: a Sua Realeza, e especialmente a Sua Realeza sobre as sociedades, a obediência que devem ter as sociedades à Vontade de Jesus Cristo, a submissão que devem ter as leis civis com respeito à lei de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda mais, Nosso Senhor Jesus Cristo quer que as almas se salvem, indirectamente sem dúvida, mas eficazmente por uma sociedade civil cristã, plenamente submetida ao Evangelho e que se cumpra o seu desígnio redentor, que seja o instrumento temporal dele. Então o que será mais justo e necessário do que as leis civis se submeterem às leis de Jesus Cristo?


 


O que quer Nosso Senhor senão que o seu sacrifício redentor vivifique a sociedade civil? O que é a civilização cristã, o que é a cristandade senão a encarnação da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo na vida de toda uma sociedade? Eis aqui o que se chama o Reino Social de Nosso Senhor, a verdade que devemos propagar hoje com a maior força possível, frente ao liberalismo.»


 


Dom Marcel Lefebvre


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Segunda-feira, 17.05.10

Monárquicos, homofóbicos e católicos

Não sei o que me perturba mais na promulgação do chamado "casamento gay": se ser a milionésima prova da falácia de um regime; se introduzir-nos numa nova categoria criminal de homofóbicos; se ter acontecido logo na semana seguinte ao Papa ter visitado Portugal. Só sei que esta "gloriosa Nação" dá mais um passo para o inferno anticristão.


 


***


 


Bento XVI, em Fátima, 13 de Maio de 2010:


 



Exprimo profundo apreço a todas aquelas iniciativas sociais e pastorais que procuram lutar contra os mecanismos sócio-económicos e culturais que levam ao aborto e que têm em vista a defesa da vida e a reconciliação e cura das pessoas feridas pelo drama do aborto. As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum. (fonte)



 


Cavaco Silva, na despedida ao Santo Padre, 14 de Maio de 2010:


 



Desejo-Vos uma boa viagem de regresso a Roma, e peço-Vos que tenhais sempre presente no Vosso espírito e nas Vossas orações Portugal e os portugueses, como os portugueses não esquecerão a vossa presença em Portugal. (fonte)



 


Cavaco Silva, hoje:


 



(...) foi por mim submetido ao Tribunal Constitucional, que considerou não haver qualquer inconstitucionalidade na proposta. Enquanto Presidente da República poderia ainda ter feito uso do meu direito de veto e, assim, de volver o texto à AR. Mas tenho a certeza que as forças partidárias que inicialmente o aprovaram, voltariam a aprová-lo, pelo que não vou alimentar a discórdia pública.


 


Há momentos na vida de um país em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um. Assim, decidi promulgar hoje a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. (fonte)


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Terça-feira, 02.02.10

Missa 1 Fevereiro 2010 - pregação do Pe. Portocarrero de Almada

MÁRTIRES DA PÁTRIA

Homília na Missa por El-Rei D. Carlos e pelo Príncipe Real

(Igreja da Encarnação, 1-2-2010)



1. Introdução. Começa o ano civil com a comemoração do Dia Mundial da Paz, sob os auspícios da nossa Padroeira e Rainha, Nossa Senhora da Conceição, cuja maternidade divina se celebra também, liturgicamente, nesse primeiro dia de Janeiro. A esse tão feliz início do primeiro mês do ano, segue-se, no primeiro dia do mês seguinte, a trágica recordação de igual data do ano de 1908, em que tombaram, por Deus e pela Pátria, Sua Majestade El-Rei D. Carlos I e Sua Alteza Real o Príncipe D. Luís Filipe, em dramático atentado ocorrido no Terreiro do Paço, onde hoje uma lápide comemorativa recorda tão funesto acontecimento.

É já uma tradição de muitos portugueses, monárquicos ou simplesmente patriotas, recordar esta efeméride com uma Missa de sufrágio pelas Pessoas Reais assassinadas no 1º de Fevereiro, seguida de singela romagem aos seus túmulos, no panteão da Família Real, em São Vicente de Fora. Hoje, por uma singular circunstância, não é possível essa homenagem junto das urnas que guardam os seus restos mortais e, por esse motivo, a celebração eucarística em sufrágio das suas almas ocorre nesta Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, por especial favor do seu Prior, o Senhor Cónego João Seabra, a quem agradeço a hospitalidade.

Saúdo também, em especial, Suas Altezas Reais os Duques de Bragança, na sua qualidade de Chefes da Casa Real e, por isso, representantes de El-Rei D. Carlos I e do Príncipe D. Luís Filipe. Cumpre-me também saudar o Senhor Presidente da Causa Real, o Senhor Presidente da Direcção do Instituto da Nobreza Portuguesa, o Senhor Presidente da Associação da Nobreza Histórica de Portugal, o Senhor Presidente da Real Associação de Lisboa, a quem agradeço o honroso convite para presidir a esta celebração, e os outros representantes de todas as outras entidades que, uma vez mais, promovem ou se associam a este acto.

Por último, mas com não menos consideração, cumprimento os numerosos fiéis que quiseram participar nesta liturgia, porque o fazem por um dever de justiça, que muito os honra, para com a memória das vítimas do atentado e na perspectiva de um renovado compromisso com a sua fé cristã e com o futuro de Portugal.

2. Memória e celebração. Que celebra a Igreja quando recorda, mais de um século depois, o passamento de El-Rei D. Carlos e de seu filho, o Príncipe Real? Não poderá resultar anacrónica esta evocação, tanto tempo decorrido já sobre o nefasto acontecimento? Não se estará porventura a incorrer num retrógrado saudosismo de outros tempos e eras? A estas dúvidas quanto à oportunidade desta celebração, poder-se-iam ainda acrescentar outras questões respeitantes à sua pertinência. Com efeito, o facto de esta evocação ocorrer numa igreja e em plena liturgia eucarística, não poderá ser entendido como uma desvirtuação da instituição eclesial e da própria Santa Missa? Não se corre o risco de confundir o temporal com o espiritual, o trono com o altar?

A Eucaristia é sempre uma acção de louvor à Santíssima Trindade, pela qual se realiza verdadeiramente, embora de forma incruenta, o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário. É, por isso, uma acção litúrgica, ou seja, de culto divino, que realiza o fim latrêutico que anima toda a vida eclesial, porque a principal finalidade da Igreja, dos seus fiéis e até de cada homem é dar glória a Deus. Mas como a glória de Deus é, como já ensinava São Leão Magno, o homem vivo, a celebração da divindade é também, em Cristo Nosso Senhor, comemoração da humanidade assumida e redimida no Verbo encarnado. Para além de verdadeiro sacrifício, a Missa é também memória e celebração.

Neste preciso sentido, esta evocação é, em primeiro lugar, uma Missa de sufrágio pelas almas do falecido monarca e de seu filho primogénito. Sem desrespeitar a dignidade da sua estirpe real, nem a excelência das elevadas funções que ambos exerceram, é sobretudo enquanto fiéis cristãos que a Igreja os recorda nesta celebração e eleva ao Céu preces pelas suas almas.

A este propósito, vem a talho de foice recordar um cerimonial ainda em uso na Casa Real austríaca, sempre que um membro desta família imperial é sepultado no panteão real, sito na vienense Igreja dos Capuchinos.

À chegada do féretro e do seu acompanhamento, a entrada do templo encontra-se fechada, pelo que um dignitário do cortejo percute na respectiva porta. A esse toque, alguém responde de dentro:

- Quem é?

Nos termos protocolares, enunciam-se então todos os títulos nobiliárquicos e os tratamentos honoríficos a que esse membro da família imperial tivesse direito.

Mas a essa apresentação do defunto, segue-se uma lapidar negativa:

- Não conheço.

Repete-se o acto de bater à porta e, inquirida por segunda vez a identidade de quem deseja entrar, dizem-se de novo, mas de forma mais abreviada, as honrarias inerentes ao falecido. Então, de dentro da igreja fechada, ouve-se mais uma vez uma voz anónima que diz laconicamente:

– Não conheço.

À terceira vez, já não se referem altezas nem títulos, não se citam honras, nem nobiliárquicas prerrogativas, e o corpo insepulto é apresentado apenas como o de um pobre pecador.

E é só então que a porta, que não cedeu ante pergaminhos de imemorial nobreza, que não se rendeu ante séculos de gloriosa história familiar, atestada pela infindável ladainha das honras herdadas, se abre de par em par, dir-se-ia que comovida pela grandeza da humildade de um pobre de Cristo, que suplica a graça de um lugar de descanso para o seu corpo, enquanto não chegar a hora, tremenda e gloriosa, da ressurreição final.

Assim é também a entrada no reino dos Céus, majestoso pórtico que permanece indiferente às mais sublimes dignidades terrenas, sejam elas de natureza política, histórica, intelectual, económica, artística ou outra. Para a salvação eterna, pouco importa o poder, a fidalguia, a beleza, a inteligência ou a riqueza material do cristão. Não é por esses seus atributos que se lhe franqueará a porta do paraíso que, no entanto, se escancará ante a singela grandeza de quem tiver a dita de se reconhecer a si mesmo o que afinal todos somos nesta vida: pobres pecadores em demanda da pátria celestial, que só pela infinita misericórdia de Deus poderemos alcançar.

3. Mártires da Pátria. Se é este piedoso propósito a principal razão desta liturgia, também é verdade que esta celebração é igualmente comemorativa, não do facto lamentável do regicídio, mas das suas vítimas inocentes.

Já os primeiros cristãos se reuniam nos seus templos para a celebração dos mistérios divinos, mas também para a gloriosa comemoração dos seus irmãos que tinham dado a vida pela fé, pois a palma do seu martírio era razão suficiente para concluir, com absoluta certeza, a sua eterna salvação. Foram estes os primeiros santos do calendário cristão, os primeiros também a serem celebrados com festas próprias e a merecerem o culto público dos fiéis, mas sempre subordinado à adoração que só às Pessoas divinas é devida.

Muito embora a definição de martírio pressuponha, por regra, a entrega voluntária da vida por causa da fé, também é verdade que a Igreja tem admitido, ao longo da sua bimilenar história, algumas excepções. Por exemplo, a antiquíssima veneração dos santos inocentes, as crianças assassinadas por Herodes no seu intuito de matar o recém-nascido Rei dos Judeus, parece indiciar uma aplicação sui generis do conceito de martírio, na medida em que aquelas crianças não eram crentes, nem morriam voluntariamente em defesa de uma fé que, por certo, ignoravam absolutamente. Nesse caso, como a sua vida foi ceifada em nome do ódio anti-cristão, que movia o ímpio tirano, a Igreja entendeu que lhes era devida a honra do martírio e, como tal, as festeja no seu calendário oficial, na oitava do Natal.

Outro exemplo significativo e bem mais recente é o caso de São Maximiliano Kolbe, também oficialmente considerado como mártir, mas cuja morte também não se ficou a dever directamente à sua fé. Prisioneiro num campo de concentração nazi, este bem-aventurado ofereceu voluntariamente a sua vida em resgate de um outro detido, cuja morte tinha sido decidida como medida de retaliação. Não obstante a sua morte não ter sido provocada directamente pelo facto de ser cristão, o dicastério competente da Santa Sé entendeu que este santo religioso tinha sido mártir, senão em nome da fé, pelo menos em nome da caridade, pois ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.

Neste sentido mais amplo, não repugna considerar El-Rei D. Carlos I e o Príncipe Real como vítimas do ódio dos seus assassinos e ainda das associações em que os mesmos militavam e foram também, por esse motivo, cúmplices morais do regicídio, pois ninguém pode pôr em dúvida que a morte de ambos foi uma consequência directa da sua heróica entrega ao seu país e ao seu povo, que souberam amar e servir até ao fim.

Os Reis D. Carlos e D. Sebastião são, curiosamente, os únicos monarcas portugueses que faleceram de morte violenta. Se o penúltimo rei da dinastia de Avis pereceu no campo de batalha, às mãos dos inimigos do império e dos infiéis, o penúltimo monarca da quarta dinastia tombou no Terreiro do Paço, sob as balas dos inimigos do trono e do altar. A tragédia de Alcácer-Quibir foi o princípio do fim da independência e da grandeza de Portugal de aquém e além-mar, como o drama da Praça do Comércio foi um atentado contra a independência nacional, o princípio do fim da monarquia e também do Portugal ultramarino.

Não me cabe a mim reconhecer a grandeza do supremo sacrifício de El-Rei D. Carlos I e de Dom Luís Filipe, mas creio que expresso uma convicção comum a todos os verdadeiros portugueses, qualquer que seja a sua ideologia política, se disser que ambos foram, sem favor, mártires da Pátria.

Dos primeiros fiéis que foram martirizados dizia-se que eram sementes de novos cristãos, porque o seu sangue, tão heroicamente derramado, não podia deixar de dar frutos de verdadeira santidade. Mutatis mutandis, atrever-me-ia a dizer que as vítimas inocentes do regicídio são também um título de glória para Portugal: são penhor da nossa esperança, na certeza de que o seu sacrifício não foi inglório, antes prenúncio de outros heroísmos, de outros portugueses igualmente capazes de se darem sem medida pela sua fé e pela sua pátria.

4. A Igreja e a República. Este ano de 2010, centésimo segundo aniversário do regicídio, é também o ano em que se recorda a proclamação da república portuguesa. Como é sabido, a alteração do regime político ficou-se a dever ao golpe de Estado de 5 de Outubro de 1910 e, mais remotamente, ao atentado que vitimou El-Rei D. Carlos I e o Príncipe Real.

A relação entre o regicídio e a posterior instauração do regime republicano não é já uma simples conjectura ou uma mera hipótese científica, mas uma verdade histórica indesmentível. Não será portanto desprovido de fundamento que esta reflexão incida também sobre este particular, tendo em conta que esta celebração ocorre precisamente no centenário da república, cujas comemorações oficiais tiveram ontem o seu começo.

A Igreja não tem preferências de carácter institucional, não apenas porque respeita a legítima autonomia dos povos no que concerne à sua organização política, mas também porque o seu fim é transcendente. Contudo, não pode deixar de se pronunciar sobre aqueles regimes que, de algum modo, atentam contra a liberdade da Igreja e dos fiéis, nomeadamente violando os mais elementares direitos fundamentais. Neste sentido, a Igreja não é, nem nunca foi ou poderá ser, republicana ou anti-republicana, monárquica ou anti-monárquica, mas será sempre contra todos os sistemas políticos que, qualquer que seja a sua configuração constitucional, oprimam o homem e se oponham ao bem comum.

Sem ânimo para me espraiar sobre um tema que é mais próprio de uma sessão académica do que de uma homilia, gostaria no entanto de enumerar, a título de exemplo, algumas das medidas levadas a cabo pelo primeiro governo provisório republicano, logo após o golpe de 5 de Outubro de 1910, portanto numa época em que o supremo órgão executivo nem sequer contava com nenhum tipo de legitimidade democrática.

Dois dias depois, a 7 de Outubro de 1910, todos os feriados religiosos foram suprimidos, mantendo-se apenas o 25 de Dezembro, mas como festividade laica, ou seja, como Dia da Família portuguesa. Por sinal, as anticlericais leis da família, que estabeleceram o divórcio e acintosamente previam pensões para as «viúvas» e filhos dos padres, foram publicadas no dia 25 de Dezembro de 1910, numa provocatória ofensa ao santo dia de Natal.

Foi também em Outubro de 1910 que se procedeu à encarceração e à posterior expulsão dos religiosos da benemérita Companhia de Jesus, dando por vigentes os correspondentes decretos pombalinos. De imediato, proibiram-se os juramentos religiosos, bem como a presença de crucifixos nos edifícios públicos e, ainda, o uso de vestes talares pelos clérigos e religiosos. O ministério da Guerra mandou retirar de todas as fortificações militares os nomes dos santos que até então as designaram e impediu-se o ensino da doutrina cristã nas escolas. Fechou-se ao culto a capela da Universidade de Coimbra, que foi convertida, à boa maneira bolchevique, num museu de arte sacra. As matrículas no primeiro ano da Faculdade de Teologia foram anuladas, por decreto do governo, e abolida a cadeira de Direito Eclesiástico nas faculdades estatais. Foi vedada aos membros das Forças Armadas a participação em actos religiosos e, já em 1911, à imagem e semelhança da Revolução Francesa, foi determinado pelo governo que, nos tribunais, cartórios e repartições do Estado, não se fizesse menção à era de Cristo.

Não é preciso prosseguir para poder concluir, mesmo sem necessidade do aval de nenhum historiador, a matriz profundamente anti-cristã do regime instaurado em Portugal em 5 de Outubro de 1910. Uma tal afirmação não nasce de nenhum preconceito, mas de um juízo desapaixonado dos factos, de que a precedente lista não é mais do que uma significativa e eloquente amostra. Negar o seu carácter essencialmente anti-católico é negar uma evidência e, como se costuma dizer, contra factos não há argumentos.

No contexto desta política, tão anticlerical como anti-democrática, entende-se que o regicídio fosse indispensável para a implementação de medidas que, pelo seu carácter profundamente sectário e injusto, nunca poderiam ter o patrocínio de um rei. Nenhum soberano cristão digno desse nome, nenhum verdadeiro Rei de Portugal, nação fidelíssima, se sujeitaria nunca a uma tal tirania e, por isso, os revolucionários de 5 de Outubro aperceberam-se de que só a queda da monarquia poderia permitir a vitória do seu ideário. E como a realeza era então, como sempre foi, querida pelo povo, não restava outro expediente para a sua abolição que não fosse o crime e a traição.

Triste regime o que nasce de mãos assassinas, tingidas com o sangue inocente de dois dos maiores mártires da história de Portugal: El-Rei D. Carlos e o Príncipe Real!

5. Salvar a família, salvar Portugal. Talvez alguém pense que o carácter profundamente anti-democrático e anti-cristão da primeira república é apenas uma desastrada reminiscência, uma triste página de um passado que, felizmente, nada tem a ver com o nosso tempo.

É verdade que o Portugal de 2010 é muito diferente do de 1910, mas talvez não seja temerário afirmar que o espírito laicista de outrora permanece vivo no regime que, talvez por se identificar tanto com os seus centenários fundadores, se presta a festejá-los com tanta pompa e circunstância, a expensas do exausto erário público. Não obstante as convicções cristãs da grande maioria dos portugueses, insiste-se numa política contrária à mais elementar liberdade, através de medidas que, embora não hostilizando directamente a Igreja Católica, procuram a sua destruição. Não se impede formalmente a acção da Igreja, mas silencia-se a sua voz, atenta-se contra o seu magistério e contra as suas instituições.

Medidas que seriam impensáveis para os republicanos de 1910, são hoje uma triste realidade. Pense-se no aborto, impunemente realizado e pago pelas instituições do Estado, que não têm contudo verbas para os doentes crónicos, nem consegue atempadamente satisfazer todos os pedidos de intervenção cirúrgica. Pense-se no divórcio, entendido como um simples repúdio que banaliza a família e atenta contra a dignidade do cônjuge mais desfavorecido. Pense-se na iníqua equiparação do casamento civil às uniões entre pessoas do mesmo sexo, por alguns festejada como ponto alto das celebrações do centenário republicano, talvez para vincar que os actuais governantes se revêem na índole anticristã dos seus predecessores.

Para salvar a família e salvar Portugal, é preciso que muitas famílias cristãs se não demitam da sua responsabilidade social!

Para salvar a família e salvar Portugal, é preciso que a Família Real, que é a fiel depositária de oito séculos de tradição cristã e de glória nacional, nos continue a guiar pelos caminhos da nossa História, na fidelidade à Igreja e à nossa memória e independência nacional!

Para salvar a família e salvar Portugal, é preciso que o exemplo heróico de El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real sejam fermento de muitos portugueses que hoje, como naquele fatídico 1º de Fevereiro de 1908, dêem a sua vida pela fé e pela Pátria!

6. Conclusão. Quando Suas Majestades El-Rei D. Carlos I e a Rainha D. Amélia, e Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe atracaram, pelas 17 horas do dia 1 de Fevereiro de há 102 anos, na estação fluvial do Terreiro do Paço, voltavam a Lisboa depois de uma estadia em Vila Viçosa. Junto ao seu Paço Ducal, ergue-se o Santuário da veneranda imagem de Nossa Senhora da Conceição, pelo que talvez não seja excessivo supor que a Santíssima Virgem Maria terá acompanhado a Família Real no seu regresso à capital, retribuindo assim a sua boa vizinhança. E como Nossa Senhora é Mãe que quer sempre o nosso bem e Rainha que tudo pode, é certo que assistiu a El-Rei e ao Príncipe Real na sua última hora. Que os tenha pois em Sua santa glória!

A Nossa Senhora da Conceição dirigimos uma última prece, pedindo à nossa Padroeira que seja agora de novo – como foi, em 1385, para o Santo Condestável e, em 1640, para El-Rei D. João IV – a nossa bandeira, sob a qual nos comprometemos a defender a fé, para salvar Portugal.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

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Segunda-feira, 01.02.10

1 de Fevereiro

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Sábado, 23.01.10

"Vive le Roi"


(Le tombeau du roi Louis XVI et de la reine Marie Antoinette, Basilique Saint Denis, France)

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Quarta-feira, 14.10.09

Repúblicas há muitas, seu palerma!

O Henrique Raposo diz que o problema dos monárquicos é existirem miguelistas. E isto sai-lhe com tanta naturalidade, que seria o mesmo que eu escrever que o problema dos republicanos é terem marxistas no parlamento. O problema é que o conceito de república é hoje tão multiforme que não permite nenhuma definição, muito menos uma mirabolante base ética, o que faz com que só consiga tolerar uma proposta monárquica que lhe siga as pisadas, afogando-se no paradigma instalado e renunciando a tudo o que caracteriza e diferencia a alternativa real. O grupo de marinheiros do Tejo lá lhe vai fazendo o frete...


 


Se recuarmos na história, percebemos que é lógico que seja assim. Quando em 1910 se implantou a república portuguesa por telégrafo, já existia uma coisa parecida desde o início do liberalismo. Mudaram-lhe o nome, lavaram-lhe a cara, mataram um gajos e espetaram-nos com a bandeira da carbonária. Não seria portanto de estranhar que um rei até pudesse ser agora aclamado por e-mail. Reaportuguesar Portugal é que está fora de questão, porque é "fassista", salazarento e, quem sabe, até nazi. Tudo coisas monárquicas, claro!

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Segunda-feira, 12.10.09

Sobre o extinto município

Apêndice à “Teoria do Município”



Para o Congresso Nacional Municipalista do Porto em 1924, que não chegou a realizar-se, escreveu António Sardinha, então Presidente da Câmara Municipal de Elvas, as teses seguintes:


 


1ª Tese


O Município não é uma criação legal. Anterior ao Estado, é preciso defini-lo e tê-lo como organismo natural e histórico.


 



2ª Tese


A descentralização administrativa não é, por isso, suficiente para resolver o problema municipalista.


 



3ª Tese


Órgão da vida local, inteiramente extinta, mas que é preciso ressuscitar para que haja vida nacional consistente e intensa, o Município deve ser restaurado nos termos em que vicejaria hoje o velho e tradicional município mediévico, se o seu desenvolvimento não tivesse sido estrangulado por factores de sobejo conhecidos.


 



4ª Tese


Essa restauração do nosso antigo Município equivale a considerá-lo não como uma simples função administrativa, mas como um centro de vida própria, espécie de unidade orgânica, abrangendo todas as relações e interesses dos seus convizinhos, desde o ponto de vista familiar e económico até ao ponto de vista cultural e espiritual.


 



Tese


Restaurado em tais condições, o Município, simultaneamente suporte e descongestionador do Estado, contribuirá para atenuar a crise mortal que este atravessa, vítima do centralismo excessivo que o depaupera e abastarda.


 



(...)


 



13ª Tese

Poderão os Municípios federar-se constituindo “regiões” em substituição dos “distritos” – decalque da legislação francesa, sem realidade geográfica nem justificação tradicional.

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Quinta-feira, 08.10.09

Já agora...

Vejo muitos monárquicos demoliberais a rasgarem as vestes perante uma notícia que dá conta de mais de meio milhão de euros destinados por ajuste directo à instrução republicana de 2010. Indignaram-se com os números globais (10 milhões, ao todo) e agora com a forma como estes começam a ser gastos numa acção "normal" de defesa e consolidação de um regime que está a atingir o píncaro. Face a isto, queria apenas perguntar-lhes se também estariam dispostos a escrever  qualquer coisa contra o facto dos meus e seus impostos estarem a pagar parte do cartaz comunista que está à porta do meu prédio.


 


Aguardo.

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Quarta-feira, 07.10.09

Referendar o quê?

O pedido de um referendo ao regime continua a ser ridículo. Como escreve VL no Jantar das Quartas, não há nenhuma proposta real que seja substancialmente diferente daquilo que já temos. Qualquer consulta popular neste sentido redundaria numa estúpida disputa entre quem quer que a chefia de estado da república seja plebiscitária e outros que a defendem hereditária. Quanto ao resto, ou seja, quanto a ideias que sejam verdadeira alternativa ao sistema, os pontos coincidem tanto entre republicanos e monárquicos demoliberais que a simples tentativa de distingui-los remeter-nos-ia para os inevitáveis e muito ajustados estereótipos.


 


Por outro lado, a questão levanta ainda outro problema aos monárquicos que gostavam de ver valores em discussão e não apenas aparências, suposições e comparações estrangeiras de conveniência: levar o regime a eleições é negar-lhe a sua urgência histórica e moral para a remeter para a vontade das maiorias. Isto geraria um contra-senso incompreensível que os tradicionalistas não podem aceitar. A monarquia deve servir precisamente para garantir que determinadas premissas não possam ser subtraídas à comunidade por processos meramente quantitativos, o que afasta em absoluto a hipótese de aplicar o inverso à sua legitimidade.


 


Pedir à república que se coloque em pé de igualdade com outro regime perante a decisão popular, através de uma alteração à Constituição que o permita, chega mesmo a ser infantil. Como diz ainda VL, se existisse um movimento sério e forte no sentido da mudança, não seria a Assembleia, o Governo ou a Presidência desta república a criar as condições para que pudesse vingar politicamente. Antes pelo contrário! Aliás, se os monárquicos demoliberais conseguem ter voz na imprensa e na internet, e até mesmo associar-se livremente, só é sinal de que, no quadro mental e de acção em que se situam, não apresentam ameaça à continuidade da nossa realidade.

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Segunda-feira, 05.10.09

Esmiuçar a outra república

Esta noite, duas centenas de monárquicos desembarcaram em festa no Cais do Sodré, subiram ao Largo Camões e esqueceram-se, mais uma vez, de apresentar uma proposta verdadeiramente fracturante. Outro tiro ao lado...


 


ps: Entretanto, o PR sempre vai discursar, mas no Palácio de Belém. A GNR também lá vai prestar-lhe as Honras que outros queriam ter na Câmara. Digo eu que teria sido mais fácil que António Costa não tivesse aparecido nos Paços do Concelho. A trapalhada continua.

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Sexta-feira, 18.09.09

Para reflexão


Perante a sujeira sobre a compra de votos no PSD e a bandalheira de informações e contra informações a propósito de uma notícia do Público com sérias implicações políticas (questões que não me atrevo a comentar), permanece e reforça-se uma "dúvida": é mesmo possível redignificar este regime, como pretendem muitos dos nossos correligionários?

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Quinta-feira, 17.09.09

O jovem radical do séc. XXI


A juventude é sempre irreverente. Não alinha com o pensamento estabelecido, rompe convenções, costumes, tradições. A juventude é tempo de ideias alternativas, crítica feroz ao passado, presente e até futuro, por puro e ousado vanguardismo. Junta e mistura tendências em tonalidades desconhecidas, inaugura novas formas de ver o mundo e cria ilusões nunca antes vistas. Nas palavras de Amaro da Costa, "a juventude não é instalada", como significando todo o processo criativo inerente a cada lufada de inovação que lhe é própria, e apoiada que está numa coragem que se desvanece depois com a idade.


 


Essa coragem é acompanhada de radicalidade. Hoje, ser plenamente jovem é ser diferente ao ponto de pertencer à tribo urbana: roupas escandalosas, ditos repugnantes, gestos intimidadores, lógicas e sentidos incompreensíveis, que transformam o senso comum instalado num balofo e ultrapassado paradigma de vida. O jovem radicalmente irreverente é olhado como rasca, lixo de uma sociedade que não soube educar os seus filhos segundo as regras civilizacionais vigentes. E a culpa divide-se entre a escola e essas ideias malucas que agora encontram na internet. Dizem que se lêssemos uns livros, daqueles que se encontram na secção de banalidades da Fnac, talvez encarrilassemos no sistema e nos portassemos segundo os cânones da sociedade...


 


Mas, afinal, o que significa tudo isto em 2009? Em que se traduz divergir corajosa e radicalmente dos nossos pais e do seu estilo de vida? Onde encontrar a posição mais escandalosa, provocadora, audaz, perigosa e desafiadora do sistema em que nascemos? Como marcar verdadeiramente a diferença?


 


Como não poderia deixar de ser, a resposta não é fácil de descortinar e pertence a uma daquelas tribos urbanas que ainda ousa ser fracturante. Mas eu dou uma ajuda, aqui mesmo, nesta internet que conspurca as nossas mentes. A resposta está na acção reaccionária e a reacção é a monarquia integralmente católica. Não há nada que seja mais "fora". Por isso, usando uma linguagem já gasta, fica um conselho: abram a pestana e aproveitem enquanto podem!

publicado por Afonso Miguel às 23:08 | link do post | comentar
Terça-feira, 15.09.09

Ele há coisas d' O Diabo...

Hoje de manhã, como habitual, comprei o semanário O Diabo no estabelecimento do costume. Pedi um café, folheei-o e fiz uma primeira leitura rápida, detendo-me apenas na crónica do professor Marques Bessa. Passou o dia e, há coisa de quinze minutos, fui casualmente informado pelo próprio jornal de que um post aqui colocado foi publicado, na integra, na edição desta semana (pag. 19) - coisa que me tinha escapado e me deixa preocupado com a possibilidade de evolução do meu astigmatismo!


 


Escusado será dizer que agradeço a distinção àquele que, provavelmente, é o único órgão de comunicação social de resistência nacional.


 


***


 


Aproveito para vos remeter para um conteúdo do jornal disponibilizado online, sobre um cartaz  absolutamente surreal, mas muito esclarecedor, do senhor Câmara Pereira. De facto, o diabo que o carregue...

publicado por Afonso Miguel às 22:16 | link do post | comentar
 

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