A decadência pela transmutação de todos os valores


 


Lendo este pedaço do "Anti-cristo" de Nietzsche, como dizer que não nos tornámos nietzschianos?



11. Uma palavra ainda contra Kant enquanto moralista. Uma virtude deve ser nossa invenção, nossa defesa e nossa necessidade pessoais: tomada em qualquer outro sentido, não passa de um perigo. Aquilo que não é uma condição vital é prejudicial à vida: uma virtude que não existe senão por causa de um sentimento de respeito pela ideia de «virtude», como Kant a queria, é perigosa. A «virtude», o «dever», o «bem em si», o bem com o carácter da impersonalidade, do valor geral - quimeras onde se exprime a degenerescência, o último enfraquecimento da vida, a chinesice de Conisberga. As mais profundas leis da conservação e do crescimento exigem o contrário: que cada um inventa a sua própria virtude, o seu imperativo categórico. Um povo perece quando confunde o seu dever com a concepção geral do dever. Não há nada que arruíne mais profundamente, mais radicalmente, do que o dever impessoal, o sacrifício perante o deus Moloch da abstracção. (...)


publicado por Afonso Miguel às 16:52 | link do post | comentar