A destruição da comunidade


A democracia alimenta-me sempre a velha questão da galinha e do ovo. Já não sei bem se é ela a causa destruidora da comunidade se é a desagregação moral dessa comunidade que cede lugar a processos electivos deste género. O certo é que a "democracia da cruzinha" - expressão muito querida a alguns amigos - é potenciada pela destruição do sentido comum de um sentido, ao mesmo tempo que a favorece.


 


Mais uma vez, o Corcunda colocou muito bem esta questão. Julgar que a intenção dos portugueses, que elegem individualmente os seus representantes, pode ser lida como vontade comum, é jogar areia para os olhos. A nossa democracia jacobina não permite qualquer discussão séria sobre os assuntos verdadeiramente importantes, nem sobre nenhuns. Não existe qualquer orgânica comunitária, muito menos a partidária, que leve a concluir que mais de um milhão de pessoas continue, enquanto grupo, a querer o Partido Socialista no governo. Como também não acontece o contrário, no caso dos que, supostamente, lhe retiraram a maioria absoluta.


 


No fundo, trata-se de tentar projectar esta democracia atomizadora em quadros mentais que já não vigoram nas instituições. Trata-se, como tudo hoje na política, de colocar a propaganda ao serviço de um sistema de valores totalmente invertidos...

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publicado por Afonso Miguel às 21:55 | link do post | comentar