A força ideológica da democracia

Estamos certamente lembrados do resultado que o Tratado de Lisboa obteve na Irlanda. A resistência católica esclareceu os irlandeses sobre as questões verdadeiramente importantes relativas à União Europeia, ao seu rumo e à independência legislativa nacional, e a consequência foi um claríssimo "não". Hoje, passado pouco mais de um ano do primeiro, o referendo repete-se e é dado mais um sinal à Europa de como o caminho tomado pelo projecto federalista é pedregoso: a democracia, ideologicamente elevada a único sistema justo, só deve contribuir para o progresso dessa ideia e de tudo o que para ela aponte. Qualquer resultado indesejado é considerado como uma falha no processo ideológico.


 


Esta lógica de repetição da ida às urnas é uma forma claríssima de intimidação, ameaça, chantagem. Uma censura de um regime que se internacionalizou como se de uma verdade universal se tratasse. Neste caso, os irlandeses foram forçados a votar "sim". Se não o fizessem, e considerando a fraca possibilidade de terceira tentativa, o mais provável era que a cruzinha se transformasse em votação parlamentar ou em decisão do governo. Tudo a bem da própria democracia e dos fins para os quais se impôs como uma espécie de bode expiatório.


 


Por cá, o caso do aborto já nos deu há muito a derradeira lição...


 


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Confirma-se. Porreiro pá!

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publicado por Afonso Miguel às 15:18 | link do post | comentar