A insuficiência de um mundo que não se basta e a existência sedenta de sentido

G. K. Chesterton, in What's Wrong with the World:


 


Para alguns homens de ciência, na realidade, a maneira de vencer a dificuldade consiste em tratar apenas dos seus aspectos fáceis e, assim, chamarão instinto sexual ao primeiro amor e instinto de conservação ao terror da morte. Trata-se meramente de um salto por cima da dificuldade, análogo à descrição dum pavão verde chamando-lhe azul por ter azul nas penas. O facto da existência de um forte elemento físico, quer no idílio, quer no Memento Mori, torna ambos, se é possível, ainda mais desconcertantes do que se fossem de natureza exclusivamente intelectual. Ninguém poderá dizer rigorosamente quanto a sua sexualidade se mesclou de um puro amor de beleza ou de um infantil desejo de irrevocáveis aventuras, tais como a fuga para o mar. Ninguém pode dizer quão longe o seu medo animalesco da morte se entrelaça com tradições místicas de natureza moral e religiosa. A dança das dificuldades começa precisamente na natureza animal, mas não exclusivamente animal, destas coisas. Os materialistas analisam-lhe a parte fácil; negam-lhe a parte difícil e vão para casa tomar o seu chá.

publicado por Afonso Miguel às 00:34 | link do post | comentar