A Missa não é uma festa


A Magdalia escreveu um post sobre uma musiquinha que, em tempos, ouvia no novus ordo e que, desgraçadamente, não lhe saia da cabeça. Um cântico que até nem é dos piores, se comparado com o extenso rol de aberrações inventado depois do CVII.


 


É certo que muita e boa tradição se manteve, quer a polifónica quer a menos elaborada. Aliás, nada impede que a experiência musical na Missa de Sempre ultrapasse as barreiras do gregoriano, possibilidade que abriu portas a autênticos tesouros espirituais nesta área. Contudo, a herança que subsistiu dessas preciosidades é hoje escassamente executada. E se atentarmos à situação portuguesa, o cenário é muito entristecedor e preocupante.


 


Esta quase ausência de qualidade musical em Portugal deve-se, principalmente, a três factores que convém serem estudados, a fim de gradualmente corrigidos. O primeiro, à cabeça, é obviamente a introdução de estilos profanos na liturgia, resultado de um espírito protestante e tendencialmente herético. Em segundo lugar, a parca formação litúrgica dos cantores e organistas, acompanhada de um desconhecimento, por vezes quase total, de história da Igreja e de teoria musical básica. Em terceiro, a permissividade com a cultura do "desenrascaço", julgando-se bom serviço a Deus qualquer contribuição bem intencionada.


 


Como fundo obscuro destes problemas, subsiste um outro: a falta de preparação doutrinal dos intervenientes. Quem nunca ouviu afirmar que a Missa é uma festa, a festa do Senhor, e invocarem o Salmo 47 para justificarem "palmas" e manifestações desproporcionadas de "júbilo"? Quem não sabe também que essas afirmações vêm, não só dos impreparados "desenrascas" que actuam nas pequenas paróquias - actuar é, de facto, o verbo indicado para uma Missa que se transforma frequentemente em espectáculo de palco - mas também de inúmeros grupos de jovens, povoados de ignorantes e militantes de um espiritualismo a roçar qualquer coisa de budista?


 


Perante este cenário de descalabro, que não é nosso exclusivo nem único  mal a ser eliminado, a melhor resposta só pode ser a do Padre Pio:


 


P: Padre, como temos de participar na Santa Missa?


R: Como a Santíssima Virgem e as mulheres piedosas. Como São João assistiu ao sacrifício eucarístico e ao sacrifício cruento da Cruz.


 


Se partirmos desta premissa essencial, compreendemos tudo o resto e damos um passo significativo para a melhoria do canto litúrgico. No que nos compete enquanto tradicionalistas, devemos lutar cada vez mais para que se ofereça a Santa Missa Tridentina nas igrejas portuguesas, objectivo primordial da nossa acção. Sobretudo, trabalhar para que a Una Voce Portugal possa um dia ser uma realidade reparadora destas atrocidades sonoras.

publicado por Afonso Miguel às 22:19 | link do post | comentar