A Monarquia de pés de barro


 


O Miguel Castelo-Branco escreveu há dias que "o Integralismo foi responsável pelo emparedamento das possibilidades da monarquia". Esta afirmação resume, em boa parte, a concepção moderna da questão do regime. A Monarquia, no limite, só consegue hoje ser defendida como coroação de uma concepção ideológica do Estado e da sociedade. Por outro lado, o que o Integralismo sustentava, e ainda vai sustentando, são um conjunto de finalidades que o Poder deve servir. É certo que mais vale alimentar uma família real que uma vara de porcos republicanos, mas o que os monárquicos liberais propõem, à moda de oitocentos, é que os porcos se mantenham sob o olhar de um homem impotente. Um homem que representa a história e a tradição, como se de um bibelô caríssimo se tratasse, mas que as deixa correr conforme aprouver à pocilga. Veja-se o caso flagrante de Espanha, em que as tais finalidades da comunidade nacional não passam, de entre outras coisas, dos desvarios doutrinários da pandilha socialista de Zapatero. Se é para o mesmo que a Monarquia é defendida em Portugal, é natural que um integralista prefira uma república salazarista a um reino das bananas. E dizer que isso é resposável pelo "emparedamento das possíbilidades da monarquia" é, no mínimo, admitir que esta está acima de qualquer interesse pátrio. É que a "liberdade" e a "independência" devem ser vividas nos limites do Bem Comum, e o Rei é bem-vindo se for para garantir esta certeza. Para o contrário, já temos Abril...

publicado por Afonso Miguel às 21:15 | link do post | comentar