Alegrem-se pelos camaradas eslovacos, por favor

Há coisas que definitivamente não entendo.

O Bloco de Esquerda respondeu ao polémico vídeo promocional da Antena 1 com outro, nos mesmo moldes, mas com o guião trocado. No "humor" do BE (assim lhe chamam), a jornalista da rádio informa o condutor que o patrão despediu-o, visto ter deslocalizado a produção para a Eslováquia. E eu, perante isto, pergunto: se a dita empresa continuasse a laborar em solo nacional mas com eslovacos, ou indivíduos de qualquer outra nacionalidade, haveria mal para o BE? Se a mesma empresa estivesse na Eslováquia com empregados portugueses, haveria mal para o BE? Pois claro que não! O que levanta outra questão: o que tem de mal o patrão ter deslocalizado a empresa para um país inserido no espaço comunitário onde, supostamente, existem liberdade de circulação, os mesmo direitos laborais e livre acesso ao trabalho? Ou os cidadãos eslovacos são menos em alguma coisa e têm menos direitos laborais que os portugueses? O BE é contra a federação? Fico baralhado... E se o patrão for, enfim, eslovaco e estiver a ser alegremente saudado pelos congéneres esquerdistas daquele país por apostar novamente na sua economia nacional?

Parece-me tudo muito ultra-nacionalista e xenófobo (o que até que pode explicar porque dispensaram o Zé Sá Fernandes). A demagogia da economia planificada dá em escorregadelas destas, pouco consentâneas com internacionalismos, mas muito concorrentes com estereótipos enraizados que falam de um patrão sempre mau.

ps: ainda gostava de ouvir o Francisco Louçã explicar em pormenor a teoria do cartaz supra numa das suas famosas aulas.
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publicado por Afonso Miguel às 01:12 | link do post | comentar