Apoplexia

Estava num café, pelas 7h30, ainda com sono, quando encontrei um velho amigo da paróquia, filho de uma senhora que recolhe o dinheiro na Missa de Domingo. Estendeu-me a mão, sorridente, cheio de vida, absolutamente acordado. Disse-me um "bom dia!" vigoroso e prosseguiu: "Quando é que te convertes ao islão?".


 


Ele fê-lo há coisa de um ano. Um conhecido puxou-o para uma sessão de pés descalços na mesquita de Lisboa e ele achou que aquilo lhe dava uma regra de vida que nenhum padre até então lhe tinha conseguido ensinar. Legítimo. E agora anda contente a alcoranizar o ocidente na família, no trabalho, no café...


 


Respondi-lhe que tinha pressa (e tinha) mas que era conversa a ter em momento oportuno. Saí, ainda sonolento, com uma Igreja conciliar ao colo, uma Europa desfeita às costas e um Portugal perdido na droga da modernidade. Entretanto, ele há-de ir ao tapete cinco vezes ao dia para bater com a tola no chão do diabo, e eu aqui, a escrever este post, ensonado... derrotado.


 


Há sonos que são autenticas apoplexias.

publicado por Afonso Miguel às 00:49 | link do post | comentar