Assim vamos

Ir a um casamento é uma excelente oportunidade para observar a situação religiosa/litúrgica em Portugal. Normalmente é numa igreja impressionante e histórica, património deixado por um reino católico, e o aparato é quase mediático. Se possível, mais de cem convidados que não se conhecem, rios de flores em altares que o CVII fez esquecer e vestidos de ocasião, alguns bonitos, outros ridículos e três ou quatro quase pornográficos. Tudo digno de uma daquelas revistas cor-de-rosa que se vendem em quiosques à beira das paragens de autocarro. E o sacerdote, se o matrimónio se celebra dentro da Missa e está calor, deixa a casula na sacristia, paramenta uma alva dos "trezentos" de Fátima, impõe uma estola que se confunde com a alva e refastela-se numa daquelas cadeiras-trono que o modernismo colocou em frente ao altar-mor, de costas para o sacrário. Abre os braços ao Cânon (ou ao que deveria ser o Cânon...) e para o resto põe a mãos sobre a mesa do rito ordinário. Chega a apoiar-se nela, cansado que está, e da fadiga trata as alfaias sagradas como se estivesse a manipular o galheteiro com que temperou o bacalhau do almoço. Uma paródia! Mas se no fim perguntarem a alguém se o casamento correu bem, hão-de ouvir que foi óptimo porque o copo de água estava maravilhoso e, sobretudo, porque a igreja e o véu da noiva encheram as medidas. Do padre, respectiva indumentária e pouco jeito para a coisa, nada, de tamanho e esclarecido ser o catolicismo português...

publicado por Afonso Miguel às 15:55 | link do post | comentar