Atacar a FSSPX, a Tradição e o Santo Padre

















Confesso que, em parte, não compreendo o barulho e as ameaças feitas à Fraternidade de São Pio X por ocasião das anunciadas ordenações sacerdotais que Monsenhor Galarretta realizará na Alemanha, já no final deste mês. A FSSPX, levantadas as excomunhões que recaiam sobre os bispos de Lefebvre, continua a carecer de estatuto canónico para qualquer actividade que desenvolva, especialmemte a sacramental, pelo que condenar estas ordenações e não tomar a mesma atitude para o resto é acto hipócrita e desproporcionado.


 


Quando a Santa Sé retirou o fardo que pesava nos ombros da Fraternidade, de forma a proporcionar o debate que ambas as partes acordaram e para dar um inequívoco sinal de compreensão do "estado de necessidade", sabia bem que a FSSPX não cessaria a administração dos sacramentos, a pregação, o trabalho pela salvação das almas. O Santo Padre levantou as excomunhões e, embora não tenha autorizado absolutamente nada, não seria de esperar que a vida da Fraternidade ficasse em suspenso depois da dita "compreensão". Quando um sacerdote da FSSPX oferecer hoje a Santa Missa, perdoar os pecados ou baptizar, a sua acção será sacramentalmente válida, mas continuará canonicamente ilícita. Roma sabia que assim seria e tem aceitado (definitivamente compreendido) esta situação com a ausência de procedimentos contra. Se outra atitude fosse tomada sem uma aceitação do prolongamento daquele "estado de necessidade", tudo seria vão e se quebraria no dia seguinte ao levantamento das excomunhões.


 


É por isso que é inadmissivelmente incoerente que os bispos alemães venham ameaçar com penas quem participe naquelas ordenações. Se querem fazer valer a ilegitimidade formal do acto (já esclarecida pela Santa Sé), teriam de já ter aplicado o mesmo critério ao restante. As suas intenções são claramente contrárias à "compreensão" de Roma e terá de ser o Santo Padre a pedir contas aos bispos modernistas e não à FSSPX. Se o fizer à Fraternidade, terá de ser por todos os sacramentos e não apenas pela consagração dos sacerdotes alemães, possibilidade que me parece, no mínimo, pouco plausível...


 


Tudo se resume num ataque deliberado à Tradição e aos esforços de diálogo que se iniciaram. O ataque estende-se, por ligação directa, a Bento XVI. O mesmo Bento que, na carta que endereçou ao episcopado sobre o levantamento das excomunhões, frisou o papel dos seminários da FSSPX. Nunca o teria feito se o resultado da sua existência (ordenações) não pudesse ter lugar.


 


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*na foto: ordenação de treze padres do Seminário de São Tomás de Aquino, ontem no Winona (EUA).

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publicado por Afonso Miguel às 15:59 | link do post | comentar