Até

Por vezes pondero por que raio tenho este blog, que razão me leva a escrever e se terei algo para publicar que seja verdadeiramente interessante, útil, consequente. Raras vezes concluo que vale a pena continuar, por mais que me sinta no dever de tornar visiveis determinadas ideias que não passam na caixa mágica e que, de certa forma, me aproximaram de algumas pessoas que agradeço à blogosfera ter conhecido.


 


A verdade é esta: há uma vontade imensa de conseguir algo absolutamente diferente do estabelecido, em mim e noutros, nem que seja apenas um conjunto de letras passadas a limpo, como há dias sugeri. Não existe, contudo, qualquer hipótese de sucesso que não seja o residual. Se colocarmos na balança o bom e o mau que adviria, e já advém, de uma acção mais séria da nossa parte, facilmente pendemos para todos os inconvenientes práticos de defender coisas ultrapassadas pelos tempos vigentes, incompreendidas pela formatação mental imposta e renegadas para o campo do falacioso ridículo. Coisas proibidas.


 


Confesso que me encontro física e mentalmente sem forças para escrever, ler ou sequer conversar numa mesa de café sobre a Verdade, a Santa Religião, a Política, a História, o Sentido... Absolutamente cansado e desanimado. Talvez mesmo resignado a um estado psicológico pseudo-misantrópico que me obscurece qualquer tentativa de dizer o que quer que seja sobre os assuntos que nos importam. Cansado, resignado, passivo, farto da internet, como se a minha juventude se amedrontasse ao olhar para todas as barreiras intransponíveis que nos colocaram no caminho, de pernas trémulas e sem capacidade para a corrida de fundo.


 


Os meus amigos e pouquíssimos leitores perdoem-me, mas ausentar-me-ei por agora.


 


Até um dia, se Deus quiser e Portugal existir ainda em nós.

publicado por Afonso Miguel às 15:38 | link do post | comentar