Carta de princípios


Ao aproximar-se o centenário republicano é legitimo perguntar aos monárquicos portugueses que princípios fundam a Causa e que causa é essa. Legitimo porque urgente, já que da enunciação destes escassamente lemos e pouco ouvimos. Do que se diz e escreve, menos de nada se vai aproveitando...


 


Não quero esquecer alguns amigos que vão dando à pena a efectiva contracorrente e de todos os que se mantêm intelectualmente sãos, mesmo na mais pequena conversa de café. Mas afirmar que há em Portugal quem defenda publicamente - leia-se "mediaticamente" - princípios monárquicos, é uma piada. E é óbvio que de monarquia deve aqui entender-se a integral, sem estrangeirismo ou complexos ideológicos, que sabemos bem que a queda daqueles princípios começou antes de 1910.


 


Seria pois interessante que se clarificasse, sobretudo, esta questão: para que serve afinal a monarquia? Por outras palavras, que se esclarecesse por que raio sabemos que a legitimidade do nosso Rei deve ser cumprida e que critérios queremos assim servir na pessoa que os encarna. Separar as águas, preto no branco, pontos nos "is", eis o essencial.


 


Estou certo de que se houver coragem acabaremos por concluir o que há muito tempo andamos para definitivamente assentar: que os monárquicos não querem o Rei pela sua imparcialidade arbitrária, como as modas hoje ditam, mas pelas objectivas e parcialíssimas anteriores regras da Lei Divina que elevam alto a natureza humana. Para o resto (a moda), servem uns republicanos que se limitam a contestar a forma electiva do chefe de estado, sempre providos do bom chavão democrático e de todos os preconceitos supersticiosamente pagãos que o sustentam.


 


Desafio os primeiros - que são monárquicos porque nacionalistas e nacionalistas porque aqui vêem uma entidade moral - a fazer pública uma pequena carta que contenha o que a outra constituição do Sinai inspira. Que passem a limpo uma síntese do Portugal Cristão, ponto por ponto, de forma que possa ser compreendida como verdadeiro e útil manifesto. É que não vejo outra hora que, pelo desenrolar da história, nos seja mais propícia.


 


Há quem reclame esta iniciativa. Pois bem, sejamos nós a realiza-la.

publicado por Afonso Miguel às 01:25 | link do post | comentar