Da imposição do regime

Com a ameaça de abstenção a rondar os 70% nas próximas eleições europeias, é normal que se ouçam vozes preocupadas em "proteger" a democracia: se as pessoas não querem votar, passa a ser obrigatório que o façam. Carlos César fala na necessidade de garantir a "autoridade democrática", mesmo que seja à força. Diz que o voto obrigatório é a forma de "transmitir transparência à vontade do povo português", ainda que limitando a liberdade da vontade às apertadas malhas das possibilidades que a maquina do sistema apresenta. No fundo, não é de liberdade em si que se trata, mas de liberdade democrática, ideologicamente agrilhoada.


 


Entretanto, o açoriano foi de férias para Toronto com 200 amigos. Claro, a expensas do votante que lhe concedeu a alta "autoridade". E quanto aos que não estiverem dispostos a, num futuro mais próximo do que possamos pensar, "democraticamente defender a nossa democracia" (que vale tanto como  dizer que fascistamente se deve defender o fascismo), ponham-se a pau ou preparem-se para andar fugidos, rotulados de perigosos "fassistas" e inimigos do povo.


 


Por agora parece fantasia, mas já nos habituámos a que tudo se torne realidade. Apregoar o exercício pleno das liberdades com a imposição da formas, é a falácia da própria democracia em todo o seu esplendor. Depois, até que também se queira proibir o voto em branco, vai um salto...

tags:
publicado por Afonso Miguel às 15:13 | link do post | comentar