Da (in)capacitação ideológica

Sobre a necessidade de crer para compreender, sugerida no postal anterior, o Corcunda põe os pontos nos is: a chave de leitura de Saramago é o resultado acabado da crença marxista. É por isso que é incapaz de interpretar seja o que for sem a (in)capacitação ideológica. O interessante disto é que essa chave considera a divindade e a moral como produto da imaginação humana, uma projecção de uma ideia que também ela se faz ideologia e que, a ser assim tão escabrosa, não dignificaria em nada um certo positivismo. Contudo, quando Saramago aceita a moralidade cristã para condenar determinadas manifestações de pecado presentes na Escritura, usurpa-a como se não fosse resultado da Manifestação mas de um qualquer humanismo moderno. O mesmo humanismo que é hoje o cacto transversal a todas as normas e que se quer afirmar como religião.

publicado por Afonso Miguel às 15:40 | link do post | comentar