De como os bispos portugueses estão em clara cisão [II]

Se eu fosse jornalista tinha escrito mais ou menos assim:

D. Ilídio, Bispo de Viseu, defende que seropositivos têm direito a não prescindir de relações sexuais, mesmo quando o seu parceiro não tem conhecimento da doença, aconselhando o uso do preservativo para disfarçar a mentira e prevenir consequências. O coordenador nacional para a luta contra a SIDA já se regozijou com esta tomada de posição. Por seu lado, Bento XVI revelou à Tribuna que o preservativo é falível, havendo sempre possibilidade de infecção enquanto cria uma falsa sensação de segurança, facto que parece estar esquecido em muitos meios académico-científico-políticos. Em absoluto exclusivo, o Sumo Pontífice relembrou ainda que a fidelidade não pode ser resumida a "confiança recíproca", como escreveu o Bispo de Viseu, e que defende-lo é só por si incongruente com a aceitação episcopal da possibilidade da pessoa infectada não informar o seu parceiro da sua condição, atitude que considera criminosa. Entretanto, o Bloco de Esquerda pronunciou-se favorável à posição imoral de D. Ilídio, comunicando que vai distribuir 1 milhão de preservativos a pessoas infectadas com o HIV, juntamente com uma nota explicativa sobre a fé ideológica na sua infalibilidade. Em simultâneo, o PCP, avesso à perspectiva dogmática da infalibilidade, vai espalhar outdoors por todo o país com uma mensagem de boa sorte e confiança no futuro, relembrando contudo que se o preservativo falhar e daí resultar uma gravidez indesejada, o aborto pode ser a solução.
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publicado por Afonso Miguel às 23:05 | link do post | comentar