De como os bispos portugueses estão em clara cisão [VII]

Impressionante! Depois de todas as declarações absurdas, embora muito esclarecedoras, de D. Ilídio, D. Januário Torgal e D. Manuel Clemente sobre o preservativo (já para não falar de quantas e quantas pregações destilaram disparates nos púlpitos portugueses e dos jornais paroquiais e diocesanos impregnados de alarvidades), o Patriarca de Lisboa tenta também posicionar-se em defesa do Santo Padre distorcendo, ele sim mais uma vez, as palavras de Bento XVI e a Doutrina respeitante a esta matéria. Sem surpresas, segue o exemplo dos seus colegas no episcopado.

Vejamos. Como podem constatar nas notícias da Agência Lusa e do Público, D. José Policarpo vem dizer, em primeiro lugar, que tem andado a pensar sobre o assunto. Em segundo que já contactou diversos responsáveis portugueses que lhe garantiram que o preservativo é um método falível. E em terceiro que a Igreja defende que, por isso mesmo, o preservativo não deve ser o único meio de combate à SIDA.

Ora, isto é impressionante por duas ordens de razão. Uma é o espanto, que deve ter qualquer pessoa com dois dedos de testa, de ver o Patriarca destas terras de Cristo ter necessidade de invocar seja quem for para avaliar a validade da Doutrina Católica em determinado assunto, quanto mais para confirmar algo que não é desmentido por ninguém: que o preservativo é falível, como qualquer contraceptivo. E desde logo passa a ser legítimo perguntar: se lhe tivessem confirmado o oposto, qual passaria a ser a posição do Patriarca? Outra prende-se com o facto de, partindo dessas conclusões, afirmar que as reais intenções do Papa não eram as de excluir o seu uso mostrando-o como contrário à Moral Cristã, mas apenas fazer crer que este não pode ser um meio exclusivo de luta contra as doenças infecto-contagiosas, precisa e exclusivamente por ser falível.

Entende-se portanto, embora com aquele espanto que já nos vem sendo habitual, que D. José recorreu a essas personalidades para confirmar a sua opinião sobre a Doutrina e a Moral, mas não a própria Doutrina que, por si só, não precisa de qualquer outra autoridade a não ser a de Roma (embora D. Ilídio ache que não, no brilhantismo da sua visão conciliar). Mais grave ainda, fê-lo para imputar essa opinião errónea ao Sumo Pontífice, o que é conduta com um grau de gravidade bastante maior que aquela que têm os media contra a Igreja.

É por isso que é necessária muita prudência em certas manifestações de regozijo. Há dias, alguns tradicionalistas acorreram a escrever que o cardeal ulissiponense teria defendido que a Doutrina Católica não pode ser alterada pelos ventos dos tempos. Pois bem, aí têm agora a bela doutrina do senhor D. José, aquela que ele pensa não poder mesmo ser alterada, e a manipulação propositada do que o Santo Padre disse. Chama-se a isto querer estar bem com Deus e o Diabo, fazendo passar um por outro. Eu só espero é que ainda saibamos bem o que Jesus fala acerca dos mornos...

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Por ocasião dos quatro anos do pontificado de Bento XVI, gloriosamente reinante, que hoje celebramos, o mesmo D. José Policarpo avalia desta forma o levantamento das excomunhões aos quatro bispos da FSSPX:
Outro aspecto do pontificado de Bento XVI destacado pelo Cardeal-Patriarca é a sua permanente preocupação em evitar que o cisma (???) de monsenhor Lefèvbre se tornasse definitivo.

Essa preocupação, disse, levou-o a tomar gestos e atitudes que causaram mal-estar, desde uma “certa complacência (???) nos ritos da liturgia até ao levantar da excomunhão” a quatro bispos integristas, no início deste ano.

Uma situação que, acrescentou, provocou em Bento XVI a necessidade de explicar "que sentido tem levantar uma excomunhão quando eles ainda não estão em comunhão (???)”.

“Este é certamente um aspecto doloroso”, referiu, acrescentando que partilha com Bento XVI a preocupação de tudo se fazer para não deixar consolidar o cisma (???).

“A Igreja, na sua construção da comunhão, tem o dever de não deixar cair nenhuma hipótese de se resolver este cisma (???). Mas que se resolva na fé da Igreja”, concluiu.
Sobre os meus negritos e respectivas interrogações, escreverei amanhã.
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publicado por Afonso Miguel às 19:24 | link do post | comentar