Dos Cristos (in)convenientes

O António Bastos, a propósito da tolerância reinante como virtude da modernidade e dos espíritos fracos, escreveu numa caixa de comentários do Pasquim:
Estou a imaginar Cristo em versão democrática perante os vendilhões do templo a dizer-lhes "Eu não concordo que estejam aqui, mas como a minha posição é tão válida como a vossa e Eu sou tolerante, podem continuar a vossa actividade comercial que Eu não vos importunarei".
Certamente não é esta a versão testamentaria do acontecimento bíblico, mas não me espantaria ouvir em algumas homilias que a expulsão dos vendilhões talvez tenha sido acto demasiado impulsivo e que só demonstra uma certa humanidade de Jesus em tudo igual à nossa. Ou há alguém que ainda não tenha escutado, nessas mesmas pregações, que as possessões eram patologias absolutamente diagnosticáveis por qualquer médico do Serviço Nacional de Saúde? Dá vontade de dizer, à moda do António:

Estou a imaginar Cristo em versão político sofista perante os que o seguiam a dizer-lhes: "Eu sei perfeitamente que este homem tem uma depressão, mas vamos lá a ver se acreditamos ser uma possessão que é para pensarem que Eu tenho poderes".
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publicado por Afonso Miguel às 03:43 | link do post | comentar