Esmiuçar o regime


Na declaração sobre as "escutas", o PR insistiu nas ideias falaciosas de ser presidente de todos os portugueses e de estar acima de qualquer conotação partidária. Amanhã, dia 5 de Outubro, não vai estar presente nas comemorações do 99º aniversário republicano por causa da proximidade das eleições autárquicas, delegando o seu posto a alguém que, neste momento, é um agente partidário candidato à Câmara de Lisboa! Ora, há aqui qualquer coisa que, à partida, não bate certo e convém esmiuçar...


 


Cavaco alega que prescinde de estar presente naquelas comemorações para não influenciar a campanha política que está em curso. A pergunta que nos surge imediatamente é a de sabermos onde está, afinal, a imparcialidade político-partidária do Presidente para que se sinta impedido de participar e se manifestar seja em que situação for. Aliás, bastava que não discursasse para o caso ficar aparentemente resolvido, ainda que levantasse sempre dúvidas que o PR tivesse receio de se dirigir ao povo português sob pena de ser tendencioso. Na sequência, passa a bola a António Costa que, sendo presidente da CML, também é candidato à mesma pelo Partido Socialista. É uma decisão que, em princípio, não faz sentido, e que, por isso mesmo, demonstra uma realidade difícil de evitar: a chefia de estado republicana está inevitavelmente refém de um processo democrático entregue à concorrência partidária, o que lhe destrói o mito da imparcialidade. Cavaco Silva desmente-o descaradamente nas palavras, mas assume-o nas acções.


 


E este caso toma agora proporções muito interessantes. A GNR foi afastada das comemorações pelo serviço de protocolo da CML porque a Guarda terá recusado, e bem, prestar Honras de Estado a António Costa. Ou seja, a força militar que, por excelência, merece e deve estar presente no acto comemorativo, é expulsa deste por um dirigente autárquico que não tem nenhuma autoridade sobre a GNR. Perante isto, o PR nada fez até ao momento, arriscando que o descontentamento por causa desta "afronta" inicie um conjunto de reacções militares nada saudáveis para a segurança do regime.


 


Ao contrário do que se possa pensar, é cada vez mais notório que a república está a chegar ao apogeu. De tão alto voar, derretem-lhe as asas...

publicado por Afonso Miguel às 18:34 | link do post | comentar