2 comentários:

Miles a 27 de Março de 2014 às 02:18
Publiquei também este comentário junto ao artigo de minha autoria a que aqui aludes.

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Caro amigo, confesso que, ao escrever o que escrevi, não pude deixar de me recordar daquilo que disseste no artigo que invocas.

Quanto ao mais que referes, concordo genericamente contigo e compreendo a atitude de quem, como contas, procura na sua área geográfica um sacerdote que obedeça às rubricas do rito paulino, nutra amor pela liturgia, celebre no espírito da reforma da reforma e mantenha a boa doutrina na catequese do púlpito (o que, diga-se de passagem, é tarefa absolutamente hercúlea em Portugal, numa Igreja que já era francisquista muito antes de Francisco).

Há uns cinco ou seis anos, eu ainda pensava da mesma maneira que tu; porém, actualmente, cheguei a uma fase em que coloco a mim próprio apenas a seguinte alternativa: ou a Missa Tradicional de rito latino-gregoriano ou nada! Em consciência, sabendo tudo aquilo que hoje sei sobre o rito paulino, tudo o que estudei sobre a génese e finalidade do mesmo rito (as últimas ilusões que tinha, perdi-as em definitivo com a leitura do livro “Work of Human Hands - A Theological Critique of the Mass of Paul VI”, do Padre Anthony Cekada - http://sggresources.org/products/work-of-human-hands-by-rev-anthony-cekada), só posso dizer que me é uma violência impossível de suportar assistir a uma Missa de rito paulino, ainda por cima nos moldes práticos em que a mesma é usualmente celebrada em Portugal. Em consciência, insisto, não posso, não quero, não consigo pactuar com esta completa violência moral!

Enfim, relativamente à reforma da reforma litúrgica, uma das imagens de marca do pontificado do nosso querido Papa Bento XVI, reforma que na altura acarinhei e que em Portugal foi um falhanço quase tão estrepitoso como a aplicação do “Summorum Pontifucum”, julgo hoje em dia que tentar procurar a quadratura do círculo, ou seja, “tridentinizar” o rito paulino, é uma pura perda de tempo. “Tridentinização” por “tridentinização”, use-se sem ambiguidades o que nunca deveria ter sido abandonado - a Missa Tradicional de rito latino-gregoriano, na versão constante do Missal de 1962. Condescendo tão-só que, por razões de ordem prática de adaptação dos fiéis dela desconhecedores ou desabituados, fosse possível, em algumas celebrações previamente bem determinadas, um uso um pouco mais vasto de vernáculo, o qual jamais seria extensível à totalidade “Canon” (que, de resto, é rezado na sua quase totalidade em silêncio).

Afonso Miguel a 27 de Março de 2014 às 11:57
Respondo lá.