Caritas in Veritate [II]

Do texto que o Corcunda escreveu sobre a encíclica Caritas in Veritate, retive o início:


 


A mais recente encíclica papal suscitou muita controvérsia e muitas tentativas de apropriação da direita e da esquerda. Os erros que são conhecidos a quem não tem uma fonte para o pensamento, os que não reconhecem a existência de normas acima de si próprios, são evidentes: a direita desprovida de quadros normativos aprecia no texto o apelo à libertação do Estado, ao fim das tarifas meramente proteccionistas, da defesa da propriedade, da economia local e comunitária, enquanto que a esquerda pula de felicidade pela crítica ao valor intrínseco do mercado, pela defesa dos direitos dos trabalhadores, pelas responsabilidades sociais das empresas.

Toda esta discussão é absolutamente indiferente, pela simples razão de que aquele que não parte da Mensagem não possui a mínima capacidade de apreciar o documento como explicação e proposta inspirada por Cristo.


 


De facto, a tentativa de "ideologização" da Mensagem, e de todas as consequências que tem na vida comunitária, é o rosto da inexistência de referências exteriores e anteriores às ideias das cartilhas partidárias - situação em que se encontra uma parte muito significativa da própria Igreja. Sinal dos tempos, em que tudo é remetido para o imaginário de uma humanidade artificial, regida por leis que procedem de uma filosofia morta, que não procura mais a sabedoria da Verdade mas envereda pelo caminho da fantasia utópica. Só assim se pode compreender o que o Corcunda diz e conseguir chegar ao essencial: quem destruiu a filosofia? Quem a tomou de assalto? Quem lhe usa indevidamente o nome? E a certeza absoluta que temos é que não foram nem são, certamente, os que há séculos buscam a Deus.

publicado por Afonso Miguel às 00:15 | link do post | comentar