Jogar o barro à parede


 


Anda por aí tudo muito entusiasmado com Pedro Passos Coelho porque declarou que, entre salvar Portugal e ganhar nas urnas, "que se lixem as eleições". Afirmou-o aos deputados do PSD, gerando uma súbita euforia patriótica nos que já foram eleitos, bem como nos que frequentam a sede laranja mais próxima à espera de vez. Ridículo! O que o primeiro-ministro fez foi a mais directa e objectiva tirada contra o dogma democrático do valor plebiscitário de que há memória. Disse, crendo-o, que os portugueses não passam de umas pobres vítimas das máquinas partidárias, que não sabem escolher no momento do voto e que não distinguem o bom governo do habitual demagogo. O que não deixa de ser verdade e por isso louvável de ver esclarecido, ainda que comicamente aplaudido por quem se senta no hemiciclo. Passos Coelho, também ele querendo ser demagogo, prevendo esse aplauso - inclusivamente o das pobres vítimas da sua máquina - mandou o barro à parede e colou que foi um espanto. Até onde menos se esperava...

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publicado por Afonso Miguel às 21:30 | link do post | comentar