Leão XIII sobre o poder político

É sempre bom ler e reler a Doutrina católica sobre determinados assuntos que, com mais ou menos regularidade, discutimos com falácias. Não raras vezes ouvimos os habituais democratismos proclamados dos púlpitos como justiça social irreversível, fim alcançado da evolução política através dos tempos, ou cristianismo apontando uma qualquer ideologia como meio de sã convivência comunitária e salvação de todos. De facto, a leitura da encíclica "Diuturnum Illud" de Leão XIII iluminaria a mente de muito boa gente, calaria a boca de outros tantos e elucidaria as almas que inúmeros padres e bispos lançam na confusão e na defesa de atitudes e posições absolutamente contrárias à Fé. Mais: Leão XIII destrói nesta carta qualquer pretensão de, mesmo no interior da própria Igreja, se querer fazer crer que a separação total entre o poder civil e a autoridade eclesial (a legítima autoridade de Deus, está claro) é necessária para que se cumpram determinadas virtudes cristãs, que mais não são hoje que modernas convicções absorvidas pela comunidade dos crentes.

A "Diuturnum Illud" coloca a questão no ponto em que deve permanecer: qual é a fonte de todo o poder? E aponta magistralmente, com a lucidez e a coragem que sempre foram próprias do Papa Leão XIII, que a resposta foi e é dada pelo próprio Cristo, a Pilatos, quando o esclarece sobre a proveniência do poder de condenar.

Agradeço ao António ter-me recordado esta encíclica fundamental para a compreensão do pensamento católico nestas matérias, que aqui deixo à consideração de quantos acham que a liberdade cristã não deve obediência comum. Sobretudo, àqueles que, em detrimento de uma autoridade política assente na legitimação divina da Igreja, se venderam ao autoritarismo pagão.
publicado por Afonso Miguel às 23:37 | link do post | comentar