Mais inteligência, menos cedência, maior coerência

O JSarto escreve um post curto e grosso, como se diz, sobre a incapacidade para uma reflexão inteligente sobre as grandes questões. O caso da estúpida mediatização das palavras de Bento XVI sobre o uso do preservativo é bom exemplo dessa incapacidade que, intencional ou não, conforme os casos, faz militância contra a Igreja. Bento XVI é, de facto, "motivo de justo orgulho para os católicos dignos desse nome e de temor para todos os inimigos da Igreja de Cristo". Contudo, e como bem nota o JSarto, os inimigos estão também no seio da própria Igreja que a "subvertem dissimuladamente". E este é talvez o maior perigo para a resistência cristã que o nosso Santo Padre vai personificando. É também o motivo pelo qual tantos católicos se dizem afrontados com o seu pontificado, defendendo que este está a dividir o que deveria unir, demonstando clara aversão aos verdeiros intentos de Bento XVI: reunir o que está disperso, mas dispensar o que à Igreja tem prejudicado com as sucessivas rendições de armas à lógica modernista. A falta de inteligência e de predisposição para com ela trabalhar e pensar vai afectando o meio eclesial de forma devastadora - as declarações de D. Januário demonstran-no - , ainda que felizmente se verifiquem numerosos redutos de resitência intelectual animados pelo exemplo do nosso Papa.

O recusa do uso do preservativo pela moral católica acarreta uma reflexão anterior que o mainstream induzido não consegue alcançar. Dizer que este agrava a propagação da SIDA é afirmar, antes de mais, que é concorrente de uma atitude perante a sexualidade em tudo contrária àquela moral (que apregoa a fidelidade inserida no contexto familiar), atitude essa que contribui para aquela propagação. Que nem os católicos se lembrem mais disto, imbuídos que estão numa cultura que transformou a liberdade sexual em ideologia e mergulhados numa cedência constante ao "acompanhar dos tempos", é muito grave. Como se "acompanhar os tempos" fosse prerrogativa da cristandade, e como se as propostas morais fossem exclusivos temporais ou espaciais.

Bento XVI é um papa de clarificação. Por mais que essa clarificação doa, é bom que nos habituemos à dura realidade de que a Verdade costuma doer. O lema da cota de armas papal não foi escolhida ao acaso...
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publicado por Afonso Miguel às 16:40 | link do post | comentar