Monarquia, democracia e repúblicas coroadas

António José de Brito, in Diálogos de Doutrina Anti-Democrática:
Jorge Guilherme - (...) O que já é pitoresco é que tão estranha doutrina [democrática] também tenha sido defendida hoje em dia por cavalheiros que se proclamam monárquicos, isto é, adeptos de uma forma de governo em que a vontade dos governados não entra em nada para a designação dos governantes. A serem lógicos, o rei poderia ser deposto a cada instante, desde que a ele não aderissem os súbditos na sua generalidade. Claro que, então, a monarquia passaria a república e o rei a presidente. Enfim, sintomas de degenerescência intelectual que confrangem.

João Tiago - Sei a que individualidades te estás a referir. Sempre me admirei que se classificassem a si mesmos de monárquicos os adeptos de teorias dessa índole. São lídimos exemplares de incoerência e confusionismo mental pelos quais não sentimos a mínima consideração, mas a que somos forçados a aliar-nos. São, não digamos os inocentes, mas antes os tontos úteis. Republicanos inconscientes e sem coragem para romper com um monarquismo de rotina meramente verbal e para alinharem nas nossas fileiras, aproveitamo-los o mais que pudermos, mas não os temos em grande conta.

Jorge Guilherme - Permite-me que aplauda com fervor as palavras que dedicaste aos tontos úteis (...)
publicado por Afonso Miguel às 21:36 | link do post | comentar