Monarquia vs. Ideologia [II]


O Samuel de Paiva Pires teve a amabilidade de escrever uma curta réplica a um comentário aqui publicado. Responderei correspondendo à forma directa como o fez, sem latências:


 


Diz que a democracia não é uma ideologia, mas sim apenas uma forma de regime. Concordo. É o que vem em muitos manuais e mais reputados dicionários. Acontece que a experiência histórica diz o oposto: a democracia foi mais longe e transformou-se ideologicamente em estádio último e definitivo da condição política do homem, fruto de uma visão da sua natureza muito própria das sinistras ideias ("o crepúsculo das ideologias pode ter efeitos devastadores em certas ideias", de facto). Basta estar vivo e andar na rua para constatar a condição dogmática que atingiu. Aliás, e por falar em dogma, acertou quando diz serem as ideologias sucedâneas da religião. É por isso mesmo (por causa da substituição do elemento moral religioso por éticas ideológicas) que estas devem ser encaradas como inimigas do Bem Comum, porque inimigas de Deus. Como católico não posso pois deixar de lhe ser completamente adverso (pelo menos na sua acepção jacobina), e assim adversário da "democratice" instalada, infiltrada que está nos meios monárquicos e organicamente promotora que é das ditas ideologias que a suportam e a moldaram como pressuposto de forma aparentemente insofismável, se bem que incompatível com os princípios da monarquia.


 


E quanto ao "crepúsculo", não se assuste. Ao contrário do que dizem, não existe crepúsculo absolutamente nenhum.


 


ps: já agora, relativamente às duas questões que aqui coloquei, alguma coisa a dizer?

publicado por Afonso Miguel às 20:55 | link do post | comentar