Moral


João Cardoso Rosas deixou um apelo na primeira crónica que publicou no "i": o "que precisamos de mudar é a nossa percepção ideológica do mundo". Hoje, escreveu que a junção da democracia com os princípios neoliberais foi, pelo menos em Portugal, uma "terceira via" ou um "centro" de fachada, defendendo que isso "não passou de um expediente para fazer de conta que não tinha aderido, de facto, aos aspectos essenciais do neoliberalismo".


 


O problema é que não apresenta a democracia plebiscitária - que por cá contém valores constitucionais de socialismo - como componente desse liberalismo modernista,  ou uma ideologia que necessita igualmente de ser revista. Se é para alterar a "percepção ideológica", haja coragem para o realizar em toda a amplitude, mesmo que isso signifique tocar em "vacas sagradas" do politicamente correcto. Noutro caso, ficaremos com mais do mesmo, apoiados na concepção artificial da sociedade e sem tentar retornar à compreensão da natureza humana. E para o fazer teremos que, antes de mais, nos distanciarmos de qualquer tentativa ideológica de reinvenção daquela natureza, quer à esquerda quer à direita; teremos que voltar à reflexão moral, em detrimento da visão utópica, e querer ir mais longe do que uma simples alteração de percepção.


 


O caminho é o da reacção: a morte das ideologias.

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publicado por Afonso Miguel às 21:39 | link do post | comentar