Nós, os parvos

A história contemporânea votou Portugal à perigosa puerilidade do pensamento estereotipado e à infantilidade de uma rebeldia neo burguesa. Ao vermos o mundo agitar-se com os interesses associados ao que se passa no Médio Oriente, julgamos compreender, na perfeição da nossa alma pseudo-revolucionária, todas as intenções libertárias do homem. Há dias até apareceram mais uns bananas da nossa praça a cantarolar "músicas de intervenção", para ouvir a meio de um qualquer duelo desportivo na PlayStation 3 que o papá deu, antes de ir aos copos e ao haxixe do Bairro Alto. É a alta cultura interpretativa da situação "geopolíticoestratégica" do cu entalado do senhor Kadafi, transportada à nossa triste realidade comprovada de que a democracia jacobina que tentam exportar para todo o mundo não resulta se não em gasolina cara e festivais da canção com Homens da Luta (esses heróis!). Tudo porque a república socialista da Líbia é uma ditadura e está a ser contestada por cidadãos de bandeira monárquica em punho. Ou então não.

publicado por Afonso Miguel às 20:32 | link do post | comentar