Nota breve sobre o reinado social da ideologia que preside à urna de voto

Anda a correr nas igrejas portuguesas uma petição promovida pelo PPV para a realização de um referendo ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O PPV, que tem na direcção um pastor evangélico, vai começar a habituar-nos a este tipo de coisas. Sob a capa de uma aparente militância pela DSI, consegue justificar a sacerdotes e fiéis menos esclarecidos uma série de posições erradas, como esta sobre uma matéria que é moralmente inegociável. Apresenta agora um plebiscito como alternativa à votação parlamentar, olvidando que aquela câmara representativa foi eleita nas mesmas urnas e que, perante isto, quer uma quer outra hipótese de votação só podem ser condenadas à luz da Doutrina. Fazem assinar um documento que defende que a possibilidade de reconhecimento estatal das uniões homossexuais deve ser averiguada pelo critério do número, e não pelo da razão à luz da Fé, instigando a que se atente gravemente contra a ordem da criação que é a Lei de Jesus.


 


E perante isto, pergunto-me se faz sentido a liturgia modernista manter a Solenidade de Cristo Rei e o magistério sobre o Reinado Social de Nosso Senhor. É que já vai sendo tempo de ir pondo os pontos nos "is".


 


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Adenda:


 


A ideia de que o referendo poderia, na prática, travar a aprovação desta alteração substantiva da instituição civil do casamento, é falsa. Poderia, no limite, adia-la, quer pela demora até ao referendo, quer depois por um primeiro resultado negativo. Contudo, e como bem sabemos, a lógica referendária transversal a toda a UE é a de repetir as votações até alcançarem os resultados favoráveis ao sistema político federalista, já para não falar das outras questões de fundo que acima referi. Por isso, o mínimo que se deve pedir aos católicos é que sejam coerentes e não caiam nas manhas do diabo.

publicado por Afonso Miguel às 00:06 | link do post | comentar