O mundo, a carne e o Diabo


 


Ensina-nos o catecismo do Concílio de Trento que "a Igreja Militante é a Sociedade de todos os fiéis que ainda vivem na terra. Chama-se militante porque está obrigada a manter uma guerra incessante contra os mais cruéis inimigos: o mundo, a carne e o Diabo”. Independentemente das explicações necessárias a esta afirmação, importa sobretudo reter que existe uma dualidade de "princípios antagónicos" entre a matéria e a metafísica, como nos ensina São Paulo, que nasce da corrupção do pecado original. É neste sentido que este trecho da carta aos Gálatas nos aponta o caminho da verdadeira liberdade, que se traduz em obedientemente fazer a vontade do Pai, não a nossa. Como diz um celebre monge cartusiano invisual (um daqueles do Le Grand Silence) é tudo muito simples: nós temos um Deus, todo amor e todo-poderoso, que a única coisa que nos pede é que o amemos, porque sabe que se o amarmos tudo nos correrá bem.


 


A compreensão desta realidade temporal da Igreja em busca da intemporalidade divina é imprescindível para, por exemplo, combater um dos piores pecados contra a dignidade da Criação: a homossexualidade. Diz-se, aliás, que a gravidade deste comportamento imoral não é suportada pelo próprio demónio, que o instiga e o torna admissível pelos homens e aceite pelo mundo, mas não o consegue ver. E instiga-o de tal maneira, de forma tão dissimulada, que se defende hoje não só não haver mal na união de dois homens ou de duas mulheres (por enquanto ainda não se fala de poligamia, poliandria, etc...), como também se tenta justificar essa inclinação apelando à satisfação de um critério individual/egoísta como absolutamente agradável a Deus, tão cegamente corrompido se encontra esse critério pela tentação do pecado.


 


Leiamos pois o que escreveu o Doutor das Gentes, in illo tempore, porque é noutro tempo, não no nosso, que conseguimos encontrar as respostas intemporais:


 



Gal 5, 1. 13-18


 


Irmãos:
Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou.
Portanto, permanecei firmes
e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da escravidão.
Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade.
Contudo, não abuseis da liberdade
como pretexto para viverdes segundo a carne;
mas, pela caridade,
colocai-vos ao serviço uns dos outros,
porque toda a Lei se resume nesta palavra:
«Amarás o teu próximo como a ti mesmo».
Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente,
tende cuidado, que acabareis por destruir-vos uns aos outros.
Por isso vos digo:
Deixai-vos conduzir pelo Espírito
e não satisfareis os desejos da carne.
Na verdade, a carne tem desejos contrários aos do Espírito,
e o Espírito desejos contrários aos da carne.
São dois princípios antagónicos
e por isso não fazeis o que quereis.
Mas se vos deixais guiar pelo Espírito,
não estais sujeitos à Lei de Moisés.


tags:
publicado por Afonso Miguel às 14:03 | link do post | comentar