Os apertados limites da liberdade...

É perfeitamente justo que o Padre Serras Pereira, um dos últimos sacerdotes lusos que faz justiça à sua condição, se indigne mais uma vez contra a Conferência Episcopal Portuguesa. E acompanho-o, como é habitual. Quando pretendem organizar um simpósio que adopta como tema a reinvenção da solidariedade, destroem, no mínimo, qualquer noção de Caridade como virtude onde Deus habita. É a subversão total, em nome de uma resposta aos problemas sociais alinhada com a retórica laica e seus subjacentes erros valorativos. Pior ainda é deixar que a crise económica ofusque a crise moral.

Contudo, o que esperar dos nossos bispos nesse campo? Um episcopado que se rende constantemente, e agora ainda, à evidencia da imposição do regime democrático como inevitabilidade histórica, só pode enquadrar posições dentro das balizas ideológicas em que se deixou aprisionar. É por isso que a crise de valores, mesmo quando apontada pela CEP, há-de sempre significar que nada encontram no regime vigente que possa explica-la. Como se não bastasse dizerem, caso se regessem pela Doutrina e pelo mínimo exigido ao pensamento lógico, que um sistema que permite referendar o valor da vida pela brutalidade do número entra em pronta guerra com o Cristianismo, por declaração.

É engraçado falarem tanto das relações entre o Estado Novo e a Igreja, criticando-as ferozmente, mas parece que ninguém vê nada do que hoje se passa.
publicado por Afonso Miguel às 21:55 | link do post | comentar