Parvoíces minhas

Não vou escrever sobre a coincidência do referendo ao aborto e a aprovação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo com dois tremores de terra. Isso são coincidências, por mais que a Margarida Rebelo Pinto diga que não. Porque, como é óbvio, não há hoje como levar a Margarida a sério. Afinal, o sentido de todos os fenómenos naturais é perfeitamente explicável numa mesa de laboratório. Do género: a terra tremeu porque duas placas tectónicas decidiram fazer cócegas uma à outra, porque é assim que funciona e a causa é o absurdo (ponto final parágrafo e atingimos a luz).


 


Não. Quero antes escrever sobre umas pessoas estúpidas que pensam coisas estúpidas sobre a estupidez do emparelhamento dos peneleiros. Tipo, a estupidez de acharem que as bichas se devem casar, ter todos os direitos da instituição civil mas... enfim... adoptar?! "Ai, não, coitadinhas das criancinhas, a dizerem na escola que o pai é arquitecto e a mãe é trolha". Isto é, direitos iguais para todos, até para o snoopy da vizinha, sem discriminação alguma. Mas essa agora de cuidar dos putos é que parece exagerada, não é? "Não é natural", ouve-se.


 


Por outro lado, também é importante que se comece a escrever que a Igreja está lixada - assim mesmo, curto e grosso. Uma instituição que apoia a sua existência na promoção e defesa de uma ordem natural assente numa moral intrinsecamente discriminatória (bem vs. mal, santidade vs. pecado, lógica vs. ideologia) e que não encontra o sentido da criação na sacrossanta mesa de laboratório mas em Deus, só pode mesmo estar lixada. É que não se trata de ter dúvidas sujeitas à habituação do costume, mas de apresentar uma proposta de vida que atenta cada vez mais contra a lei e contra o Estado de direito que a faz cumprir. E depois, perante isto, o que é que o Cardeal Patriarca diz a Sócrates?! Que não vai haver contestação alguma ao "casamento homossexual"; que ninguém vai sair à rua; que ninguém vai resistir. Ou seja, a Igreja está mesmo lixada...


 


E pronto, era isto. Amanhã é mais um dia, o Obama cuida do mundo e o Ronaldo marca golos. O resto é paisagem p'ra malucos.


 


NOTA: Este post é uma ficção, quiçá uma obra literária. Qualquer semelhança com a realidade é uma maquinação fascista. Autorização de publicação da ASAE nº 6546846516/54.

publicado por Afonso Miguel às 00:51 | link do post | comentar