Quem tem medo de Policarpo?

O Patriarca foi chamado pelo Cardeal Bertone, secretário de estado do Vaticano, a Castelgandolfo, onde Bento XVI goza férias. Assunto: as declarações sobre a ordenação de mulheres. Diz um sacerdote ulissiponense que D. José "foi tratado nas palminhas", porque a Santa Sé teria receio de uma reacção negativa a uma advertência severa. Entretanto, o Papa já tinha pedido que o bispo ficasse mais dois anos à frente da Igreja de Lisboa, depois de este ter apresentado a renúncia. Uma Igreja em que nenhum sacerdote diocesano se atreve a celebrar Missa no Rito Extraordinário, não por falta de vontade mas por medo de retaliações. A propósito, já aqui tinha referido anteriormente que pressões do Patriarcado terão impedido a celebração regular de uma Missa dominical na igreja do Sacramento, à qual foi apenas concedido que se reze integralmente em latim mas no Rito Ordinário.


 


Esta conjuntura é arrepiante, sobretudo se tivermos em conta o contexto de restauração litúrgica que a envolve a nível mundial e do qual a nossa hierarquia teima em excluir-nos. Neste caso específico, que se arrasta sem solução à vista, não podemos deixar de perguntar: afinal, quem tem medo de Policarpo? Roma?! Ou seremos nós?


 


A resposta não parece óbvia, mas é. Somos nós, que nos acanhamos e nos enfiamos num buraco que não merecemos nestas terras de Santa Maria. Que o clero avance pois, em comunhão de intenções com o Santo Padre, sob o patrocínio de São Cura d'Ars e de São Pio X; que ofereçam a Missa de Sempre; que devolvam a vida aos altares dos templos da capital, certos de que a liturgia antiga trará novas gerações ao encontro da Fé. Haja coragem! E haja coragem de o fazer ainda antes da saída definitiva de D. José. Havendo alguma retaliação, a Santa Sé não tardaria em intervir. Mas se nos mantivermos de cabeça baixa, sem dar sinais claros de inconformismo, é certo que de Roma não virá qualquer solução rápida e eficaz.


 


Disto estou certo: se fizermos alguma coisa, farão alguma coisa por Portugal. De contrário, é como se vê...

publicado por Afonso Miguel às 15:30 | link do post | comentar