Realeza social de Maria


 


Um dia volvido da memória litúrgica da Rainha Santa Isabel, mulher que elevou Avis e Portugal às maiores virtudes e obras de misericórdia, nada melhor do que rever estas palavras de D. Lefebvre, pela actualidade e urgência da verdade que contêm. Dizia a filosofia grega que precisamos de reis filósofos; aponta-nos a doutrina cristã a necessidade de reis santos. A nós, que coroámos Nossa Senhora e que dela recebemos a certeza do dogma, deu-nos Deus a especialíssima graça de a realeza social ser de Maria e, por Ela, de Jesus.


 



«Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e a divindade de Nosso Senhor é a verdade central da nossa fé. Portanto serviremos a Nosso Senhor como Deus e não como um simples homem. Sem dúvida pela Sua humanidade Ele santificou-nos, pela Graça Santificante que enche a Sua Santa Alma; isto determina o respeito infinito que devemos ter pela Sua Santa Humanidade. Mas actualmente o perigo é fazer de Nosso Senhor um simples homem, um homem extraordinário certamente, um super-homem, mas não o Filho de Deus.


 


Pelo contrário, se é verdadeiramente Deus como a fé nos ensina, então tudo muda, pois sendo assim Ele é Senhor de todas as coisas e tudo resulta da sua divindade.


 


Assim, todos os atributos que a teologia nos faz conhecer de Deus: a Sua omnipotência, a Sua omnipresença, a Sua causalidade permanente e suprema relativamente a todas as coisas, a tudo o que existe, já que Ele é a origem de todos os seres, tudo isto se aplica a Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem portanto todo o poder sobre todas as coisas; pela Sua própria natureza é Rei, rei do universo e nenhuma criatura, indivíduo ou sociedade pode escapar à Sua soberania; à Sua soberania de poder e à Sua soberania da Graça.


 


Desta primeira verdade de fé, a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, segue-se a segunda: a Sua Realeza, e especialmente a Sua Realeza sobre as sociedades, a obediência que devem ter as sociedades à Vontade de Jesus Cristo, a submissão que devem ter as leis civis com respeito à lei de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda mais, Nosso Senhor Jesus Cristo quer que as almas se salvem, indirectamente sem dúvida, mas eficazmente por uma sociedade civil cristã, plenamente submetida ao Evangelho e que se cumpra o seu desígnio redentor, que seja o instrumento temporal dele. Então o que será mais justo e necessário do que as leis civis se submeterem às leis de Jesus Cristo?


 


O que quer Nosso Senhor senão que o seu sacrifício redentor vivifique a sociedade civil? O que é a civilização cristã, o que é a cristandade senão a encarnação da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo na vida de toda uma sociedade? Eis aqui o que se chama o Reino Social de Nosso Senhor, a verdade que devemos propagar hoje com a maior força possível, frente ao liberalismo.»


 


Dom Marcel Lefebvre


publicado por Afonso Miguel às 11:36 | link do post | comentar