"Se alguma coisa é verdade, não é má"

Já em post anterior referi o facto da coerência da "liberdade" moderna ruir com facilidade. O recente caso do Bispo Williamson ter emitido opinião contra o ideologismo historicista vigente é mais um dos múltiplos cenários que o provam.

Vejamos: Richard Williamson, Bispo da Igreja Católica afecto à FSSPX (a quem foi recentemente retirada a injusta excomunhão que sobre os seus recaía), pronunciou-se, nos limites da opinião e do estudo que fez de algo que lhe parece serem evidências, contra a ideia generalizada de que existiram câmaras de gás nos campos de concentração nazis. Disse, sobretudo, que duvida, à luz dessas provas, que seis milhões de judeus tenham nelas sido assassinados. Esta afirmação foi celeremente atacada, não só pela comunidade judaica, como pela própria Igreja que exigiu a Williamson que se retratasse publicamente e perante a hierarquia (e não ficou satisfeita...). Acontece que o Bispo não o fez, como é visível no comunidado que lançou, lamentando apenas as consequências de tais afirmações. Ou seja, Williamson manteve a honestidade intelectual intacta e admitiu apenas que a verdade doi, como doeu, por mais que choque a fina sensibilidade da censura hodierna. Contra ventos de intolerância e de incompreensão da liberdade de pensamento e opinião - apanágios da democratice a que estamos sujeitos - fez saltar a tampa à própria UE que vem aterrorizar aquele cidadão inglês com a ameaça de aquelas suas opiniões serem já motivo de acção penal em alguns países da federação. Na Alemanha fala-se agora em "mandato europeu" e na Argentina, onde dirigia um seminário, limitaram-se a expulsa-lo.

Resumindo, o Bispo da Fraternidade vê espezinhada uma simples tentativa de contestação de algo que pertence ao âmbito de uma disciplina que muitos teimam em não considerar ciência. E se isto não é incoerente com o discurso oficial da absoluta liberdade de expressão e opinião, é o quê?

Dizem eles que é "revisionismo", como se de uma ideologia infectante se tratasse. Como se Williamson tivesse afirmado que exterminar seis milhões de judeus se constitui como acto indigno de condenação, quando o que fez foi apenas ter levantado a hipótese deste nunca ter existido em tão larga escala.

Alguém já leu o 1984?...
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publicado por Afonso Miguel às 02:37 | link do post | comentar