"Show must go on"


A União Europeia é um projecto de maus costumes. Uma forma de chantagem política, parecida com uma família da máfia siciliana onde só entra quem deixa o passado à porta e os valores em memória longínqua. As nações deste velho continente são assediadas com um modelo económico e social aparentemente atractivo e vantajoso, salvador de crises identitárias, mas que traz a novidade de obedecermos ao padrinho a troco de um sonho. No fundo, é o mesmo que ameaçar o comerciante do território que se controla. Se quer viver, tem de pagar; se quer ser pago, tem de matar. Tudo em nome de algo que nunca ninguém sabe muito bem o que é. Um marasmo de virtudes vindas de parte incerta e conducentes a um destino desconhecido, mas que rende bom dinheiro a alguns. Um conjunto de finalidades que se esgota numa vendeta civilizacional, que age contra o que ameaça a sobrevivência do império do medo e a liberdade de acção das suas regras. Que agride o que se mova em desfavor de uma omerta dos reais objectivos dos capos e pickpockets que controlam os governos locais.


 


A história da humanidade está cheia disto. Não há grande novidade. De gangsters à Al Capone falam-nos todos os manuais escolares e pasquins televisivos. Mas achamos normal. Chegámos a um tal estado de não retorno e de impossibilidade reaccionária, que ficamos a assistir, descontentes e impotentes. Ouvimos falar de inimigos a silenciar, espingardas a empunhar, causas fracturantes a defender. Somos bombardeados com uma lavagem cerebral de ódio à verdade, à justiça e à autoridade, e entregamo-nos à miséria de sermos uma arma ambulante que vai disparar a uma mesa de voto quando o padrinho faz a chamada. E orgulhamo-nos, pavoneamo-nos e superiorizamo-nos quando repetimos as balelas que ele diz, convictos de lhe fazermos a oposição necessária. “É o melhor sistema entre os piores”, dizemos, como se o mundo fosse o bairro imundo da ideologia da família dos macacos.


 


O apelo dos senhores da terra é para que renunciemos a nós mesmos e nos façamos homens das ruas, com coragem para disparar preconceitos. Homens de uma máfia internacional que se encharquem na bebida imoral e proibida com que enriquecem. Entretanto, Portugal morreu e ninguém viu com a bebedeira, mas show must go on. Bang bang e venha outra garrafa...

publicado por Afonso Miguel às 22:57 | link do post | comentar