Sábado, 12.04.14

Cuspir no prato da história

Não é de estranhar o bombardeamento televisivo a propósito dos quarenta anos do golpe de '74. A máquina de propaganda em Portugal faz corar muitos queridos lideres: é feita por gerações que ou vibraram com o PREC ou nasceram já em plena doutrinação ideológica. Ou seja, gente que não precisa de mando nem pulso forte para autocensurarem o que lhes vai na cabeça. Tudo fácil.

 

Passou na TV uma peça com uma professora opinando sobre a educação de então e de agora. Uma senhora reformada do antigo magistério, que não teria sido ninguém na vida se esse magistério e a rede escolar do Estado Novo não tivessem tido um grande desígnio de instrução. Não há cidade nem mais pequena aldeia em Portugal onde não exista mostra desse parque escolar, desde a universidade ao pequena edifício de ensino primário. Construção de raiz, num país de analfabetos que passaram a saber ler, escrever, somar e subtrair, frequentaram cursos industriais e comerciais, entraram em liceus e chegaram ao ensino superior. Mas aquela professora, que mandou umas boas reguadas aos seus pupilos porque Salazar lhe permitiu não cavar batatas, acha que tudo se resume a um cenário de terrível opressão. Ela que, vai na volta, viu filhos e netos, já em plena "liberdade", crescerem em edifícios do Plano dos Centenários...

 

Salazar foi um brilhante académico, um homem de política que, arrisco, nunca se serviu do poder. Num pedaço de terra vendido à federação europeia e escravo de interesses de assalto ao orçamento, desdenhar de Salazar e do Estado Novo vai na mesma linha em que se curvam cabeças a imbecis espertalhões que enganam aquela professora, e meio mundo de portugueses, com as costas quentes da democracia partidocrática.

 

Esta gente provinciana - no sentido pejorativo de provincianismo, note-se - não se manca. Falam do Estado Novo como um menino mimado de um grupo anarquista se refere ao pai rico, que lhe banca a irresponsabilidade e o crime com uma mesada choruda e um plano ilimitado no Iphone. Cospem no prato da história, no que lhes permitiu saber distinguir uma letra de um rabisco e ensiná-lo, do alto de um estrado, ao analfabeto do campo, gozando de elevado estatuto social. Mas tal foi a golpada abrilina que, por cá, como em tempo de pós conflito, também se aplica: escreve a história quem ganha a guerra. Neste caso, os porcos, que triunfaram.

publicado por Afonso Miguel às 15:45 | link do post | comentar

De um grande opressor do povo...


(Salazar, numa conferência em 1912)
publicado por Afonso Miguel às 13:40 | link do post | comentar
 

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