Um vício mortal

Não tenho nada contra manifestações populares. Num momento histórico em que vivemos dominados por pulhas de pacotilha, sou o primeiro a querer sair à rua. Mas as coisas em Portugal, como na Grécia e em grande parte da Europa, tornaram-se ridículas a este ponto: gritar numa qualquer avenida é o mesmo que um fumador afirmar que vai deixar o tabaco enquanto acende um cigarro. Independentemente do sexo, idade ou condição económica, os participantes nas arruadas que têm enchido Lisboa são quase invariavelmente os mais acérrimos democratas de café que, não sabendo governar a própria casa, continuam a diabolizar o melhor economista português do século XX e a acreditar que os sindicalistas são uns senhores bem intencionados. Sobretudo, continuam a crer que o rumo político-ideológico nacional e internacional, que nos levou a este desastre de sermos uma torre em ruínas pintada de fresco, precisa de ser aprofundado! Um pouco como os católicos modernistas que julgam que o CVII ainda não foi bem aplicado...


 


A democracia e o liberalismo são vícios. As manifestações, nos moldes a que os portugueses têm sido enganosamente impelidos pela extrema-esquerda, só alimentam esses vícios. E os pulhas de pacotilha que nos dominam só pensam em vender maços de cigarros. Está para sair um flavor federativo.

publicado por Afonso Miguel às 23:05 | link do post | comentar