Uma posição católica perante a institucionalização da imoralidade


Como o casamento civil está, já hoje, nos antípodas do Matrimónio, parece pouco acrescentar se este passa a admitir a união de duas pessoas do mesmo sexo, ou mesmo de três ou quatro. Homossexualidade e poligamia - havemos de lá chegar - serão apenas mais uma confirmação de que, desde a introdução do divórcio, a noção do Estado nesta matéria entrou em ruptura directa e definitiva com a visão católica. Os prelados que ainda reclamam querer esclarecer a opinião pública sobre algo de importância civilizacional e a preservar, esquecem-se que o problema não é de agora e que o comboio descarrilou há muito...


 


Mas face a isto, os católicos vêem-se num grave dilema. Porque se o contrato reconhecido pela República não corresponde, na sua essência, à moral cristã sobre a união humana com vista à família, passando antes a promover a legalização da imoralidade (indivíduos que se unem com finalidades que ofendem a Deus e induzem o homem à perda de consciência do mal cometido), será bom que os católicos estejam inscritos neste enquadramento jurídico?


 


Atendendo ao que está em questão, e arriscando ser polémico, penso que o mais correcto seria que os católicos cessassem o contrato que têm diante do Estado ou, ao celebrarem o Matrimónio, pedissem que o assento paroquial não fosse transcrito para o registo. É certo que a letra da Concordata prevê que aqueles que se casam pelas leis canónicas sejam "obrigados" a não dissolver o contrato civil, seguindo a Doutrina. Mas o facto é que os divórcios civis repetem-se entre os que fazem os votos nas Igrejas, em nada comprometendo a validade sacramental.


 


Trata-se, a meu ver, de não alimentar uma instituição que se tornou contrária à Fé.

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publicado por Afonso Miguel às 21:18 | link do post | comentar